Às vezes — e só às vezes —
desaparecer do palco não é fraqueza,
é instinto.
Mudar de pele não é fingir,
é rasgar o que já não serve,
é sobreviver ao que nos pesa por dentro.
Ficar só não é abandono —
é confronto.
E o silêncio…
o silêncio grita tudo aquilo
que já não cabe em palavras.
Parar não é desistir,
é o corpo a implorar descanso
antes de quebrar.
Mergulhar não é perder-se,
é ter coragem de atravessar o fundo.
E voltar atrás…
é, muitas vezes, o único caminho para não se perder para sempre.
Há momentos em que tens de te arrancar de tudo,
de todos,
até de ti —
para te conseguires ver de verdade.
Deixar cair o peso,
deixar o mundo seguir sem ti por um instante,
deixar o vento desarrumar tudo
só para perceber o que fica.
Fecha os olhos.
Engole o ruído.
Cala tudo o que te distrai.
Porque às vezes…
não é sobre falar,
não é sobre agir,
não é sobre fugir —
é sobre ficar.
Sentir.
E finalmente… ouvir.
Elizabeth Matheus

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