03/05/2026

Domingo de Reflexão


Às vezes — e só às vezes —

desaparecer do palco não é fraqueza,

é instinto.

Mudar de pele não é fingir,

é rasgar o que já não serve,

é sobreviver ao que nos pesa por dentro.

Ficar só não é abandono —

é confronto.

E o silêncio…

o silêncio grita tudo aquilo

que já não cabe em palavras.

Parar não é desistir,

é o corpo a implorar descanso

antes de quebrar.

Mergulhar não é perder-se,

é ter coragem de atravessar o fundo.

E voltar atrás…

é, muitas vezes, o único caminho para não se perder para sempre.

Há momentos em que tens de te arrancar de tudo,

de todos,

até de ti —

para te conseguires ver de verdade.

Deixar cair o peso,

deixar o mundo seguir sem ti por um instante,

deixar o vento desarrumar tudo

só para perceber o que fica.

Fecha os olhos.

Engole o ruído.

Cala tudo o que te distrai.

Porque às vezes…

não é sobre falar,

não é sobre agir,

não é sobre fugir —

é sobre ficar.

Sentir.

E finalmente… ouvir.

Elizabeth Matheus 

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