06/10/2026

ATRÁS DAQUELA PORTA


Hoje não tive dificuldade de sair, e quando abri a porta de casa, não tinha nenhum fantasma me esperando, mas a dúvida me invadiu, então olhei pra trás pra ver se tinha algum demônio me seguindo… e eles não estavam ali. Então saímos só nós três… eu, minha alma, e meu espírito. Depois de muito tempo, finalmente eu teria o prazer da minha companhia.

Gostaria que você soubesse, que durante o dia, eu tive muita dificuldade de conversar com as poucas pessoas que se arriscavam a ficar perto de mim. Sabe… quase ninguém mais suportava ouvir sobre a minha dor, a minha ansiedade. Eu sempre contava como tinha sido meus anos de depressão, sempre lamuriava por ter sido abandonado pela minha ex-mulher. Cara… eram poucas pessoas que ainda suportavam ouvir aquilo dia sim e o outro também.

Preciso confessar que hoje, eu não soube o que falar, então quase não falei, fiquei mais tempo ouvindo sobre a vida dos outros, porque eu só sabia falar do meu passado. Foi então que percebi que eu me alimentava do meu sofrimento. Foi naquele exato momento que tive pena de mim. 

Bom… daqui a pouco vai chegar a hora de voltar pra casa. Meu irmão… estou com medo. Será que meus demônios e fantasmas vão estar lá me esperando? Quando abrir a porta de casa, qual será o eu que vou encontrar?

(Ataulo)

NÓS NÃO PRECISAMOS DE CURAR O CORPO


Precisamos de regressar à sua escuta.

Precisamos de reconhecer e transformar a memória que nele ficou inscrita.

A memória dos medos.

Da raiva.

Do ressentimento.

Da culpa.

Da vergonha.

Da rejeição.

Do abandono.

E talvez, antes de todos os outros abandonos, exista aquele que acontece quando nos abandonamos a nós próprios.

Quando deixamos de escutar aquilo que sentimos.

Quando silenciamos a nossa verdade para sermos aceites.

Quando permanecemos onde todo o nosso Ser nos pede movimento.

Quando dizemos sim querendo dizer não.

Quando engolimos palavras.

Quando interrompemos lágrimas.

Quando aprisionamos o grito.

Quando nos afastamos da nossa própria natureza para correspondermos ao mundo exterior.

O corpo não está a lutar contra nós.

O corpo nunca foi o inimigo.

O corpo fala.

Fala através da contração e da expansão.

Do peso e da leveza.

Do calor e do frio.

Do cansaço e da vitalidade.

Do arrepio.

Do tremor.

Da respiração.

Da dor.

Aquilo a que chamamos sintoma pode tornar-se, então, um profundo território de escuta.

Não apenas:

“Como faço isto desaparecer?”

Mas:

“O que está a acontecer dentro de mim?”

“Onde começou esta dor?”

“O que ficou por expressar?”

“Que emoção não encontrou movimento?”

“Que parte de mim ficou aprisionada naquele acontecimento?”

Porque existe a voz que não se expressou.

O choro que contivemos.

O grito aprisionado na garganta.

A raiva diante da injustiça.

A indignação que tivemos de esconder.

A frustração.

O medo.

A vergonha.

A culpa.

A tristeza que ninguém viu.

E existem acontecimentos que terminam no tempo, mas continuam vivos dentro de nós através da forma como aprendemos a sentir, reagir, proteger-nos e relacionar-nos com a Vida.

A experiência transforma-se em memória.

A memória pode transformar-se em crença.

A crença transforma-se em padrão.

E o padrão repete-se tantas vezes que acabamos por acreditar que ele somos nós.

Mas o corpo recorda-nos.

O corpo chama-nos de volta.

Porque o corpo humano nasceu da mesma inteligência que faz uma semente romper a escuridão da Terra e procurar a luz.

Da mesma inteligência que fecha uma ferida.

Que renova.

Que pulsa.

Que respira.

Que procura incessantemente equilíbrio, movimento e Vida.

Nós pertencemos à Terra.

Não estamos separados dela.

O nosso corpo é Terra organizada em forma humana.

Água.

Minerais.

Sais.

Matéria.

Respiração.

Ritmo.

Ciclos.

E talvez uma das grandes feridas do ser humano contemporâneo tenha começado precisamente no esquecimento desta pertença.

Afastámo-nos da Terra.

Afastámo-nos dos ciclos.

Afastámo-nos do silêncio.

Afastámo-nos da escuta.

E começámos uma procura incessante no exterior.

Procuramos fora aquilo que não conseguimos reconhecer dentro.

Procuramos respostas antes de formularmos as perguntas.

Procuramos silenciar aquilo que talvez tenha surgido precisamente para ser escutado.

E quanto mais ruído existe fora, mais difícil se torna ouvir a linguagem silenciosa do corpo.

Por isso, o caminho que proponho não é uma guerra contra o corpo.

É um regresso.

Regressar ao corpo.

Regressar à Terra.

Regressar à emoção.

Regressar à memória.

Regressar ao instante em que deixámos uma parte de nós para trás.

E entrar novamente nas bibliotecas aquáticas do nosso corpo.

Porque somos profundamente água.

E simbolicamente podemos imaginar essas águas como bibliotecas vivas onde a nossa história continua a mover-se:

as palavras ditas e as não ditas,

os afetos recebidos e os recusados,

as lágrimas choradas e as contidas,

os medos,

as perdas,

os abandonos,

os desejos interrompidos,

as histórias que continuamos a repetir.

Não para procurarmos culpados.

Não para nos acusarmos por aquilo que sentimos.

Mas para devolver consciência ao lugar onde antes existia apenas automatismo.

Talvez a verdadeira transformação comece exatamente aí:

quando deixamos de perguntar apenas

“O que há de errado com o meu corpo?”

e começamos a perguntar:

“Corpo, o que estás a revelar-me?”

“Onde deixei de me escutar?”

“Que emoção continua à espera de ser reconhecida?”

“Que verdade minha ficou silenciada?”

“Onde me abandonei?”

“E o que preciso de recordar para regressar a mim?”

O corpo não é o lugar da nossa condenação.

É o lugar do nosso regresso.

É território.

É memória.

É consciência.

É natureza.

É Terra.

E talvez aquilo a que chamamos cura seja, no seu sentido mais profundo, isto:

deixar de fugir daquilo que sentimos,

regressar à Terra que somos

e devolver consciência aos lugares dentro de nós onde a Vida ficou interrompida.

Porque o corpo não está contra nós.

Nunca esteve.

Talvez tenha passado todo este tempo

a chamar-nos para casa.

João Pereira 

Tecelão da Alma 

Tecelão dos Tempos 

Tecelão da Terra

"NÃO SE DEFENDA"

"Quando você tenta se defender, está dando muita importância às palavras dos outros e dando mais força às suas opiniões.

Se você aceita não se defender, está mostrando que as opiniões dos outros não o afetam, que você "escuta", que são apenas opiniões e que você não precisa convencer os outros para ser feliz.

Seu silêncio interior o torna sereno. Pratique a arte de não falar. 

Irá desenvolver progressivamente a arte de falar sem falar e a sua verdadeira natureza interior substituirá a sua personalidade artificial, deixando emergir a luz do seu coração e o poder da sabedoria, o “nobre silêncio”.

Respeite a vida dos outros e tudo o que existe no mundo. 

Não tente forçar, manipular e controlar os outros.

Torne-se seu próprio mestre e deixe os outros serem o que são ou o que têm a capacidade de ser. 

Instale-se no silêncio e na harmonia de todo o universo."

Thich Nhat Hanh


05/10/2026

Boa noite


Descansar não é sinal de fraqueza ou desistência, mas uma necessidade essencial para sustentar a sua jornada com saúde e equilíbrio.

As tuas emoções fazem parte de ti, mas não devem decidir por ti.

Há momentos em que basta uma palavra, uma mensagem ou um gesto para algo mudar dentro de nós.

Alguém trata-te com arrogância e sentes a irritação a crescer.

Alguém afasta-se e aparece a tristeza.

Vês outra pessoa a alcançar aquilo que desejavas e surge a comparação.

Recebes uma crítica e sentes imediatamente a necessidade de te defender.

Nesse instante, a mente começa a procurar uma resposta rápida:

Responde já. Mostra que tens razão. Ataca antes que te magoem. Explica-te. Prova o teu valor.

O problema não está em sentir essas emoções. O problema começa quando acreditas que tens de agir no exacto momento em que elas aparecem.

Uma emoção pode trazer uma mensagem importante, mas não tem de ser uma ordem.

A raiva pode mostrar que alguém ultrapassou um limite.

O medo pode revelar uma ameaça, uma dúvida ou uma situação que ainda não sabes interpretar.

A tristeza pode estar relacionada com uma perda, uma desilusão ou uma necessidade que tens ignorado.

A frustração pode nascer da distância entre aquilo que esperavas e aquilo que a realidade te está a oferecer.

Sentir é uma coisa.

Agir impulsivamente é outra.

Podes pensar:

«Estou zangado.»

Sem concluir imediatamente:

«Por isso, tenho de responder de forma agressiva.»

Podes reconhecer:

«Estou magoado.»

Sem decidir logo:

«Tenho de me afastar, castigar alguém ou fingir que não me importo.»

É nesta diferença que começa a verdadeira liberdade interior.

Imagina que recebes uma mensagem injusta ou provocadora. A tua primeira vontade talvez seja responder no mesmo tom. Queres esclarecer tudo, defender-te e mostrar que a outra pessoa está errada.

Mas, em vez de agires por impulso, decides fazer uma pausa.

Respiras fundo. Lês novamente a mensagem. Observas a tensão no corpo e tentas perceber o que, afinal, foi tocado dentro de ti.

Foi o conteúdo da mensagem?

Foi a forma como a pessoa falou contigo?

Foi uma ferida antiga?

Foi o medo de parecer fraco, rejeitado ou desvalorizado?

Essa pequena pausa cria uma distância entre o que sentes e aquilo que vais fazer.

E, quando existe distância, existe escolha.

Deixas de passar directamente de:

Impulso → reacção → arrependimento

e começas a mover-te através de:

Consciência → compreensão → decisão → acção.

É aqui que recuperas o controlo da tua vida.

Práticas como a respiração consciente, a meditação e a reflexão podem ajudar-te a reconhecer os teus estados internos antes que eles assumam o comando. Não servem para te transformares numa pessoa indiferente ou sem emoções. Servem para te tornares mais presente diante delas.

Ter equilíbrio emocional não significa nunca perder a paciência.

Não significa deixar de sentir medo.

Não significa estar sempre sereno ou fingir que nada te afecta.

Também não significa engolir tudo em silêncio.

Significa conseguires sentir intensamente sem permitires que cada emoção escolha o teu comportamento por ti.

A força não está em negar o que sentes. Está em conseguires olhar para isso com honestidade e decidir o que merece ser feito.

Quando uma emoção forte surgir, experimenta parar por alguns instantes e fazer quatro perguntas:

Que emoção está presente neste momento?

O que despertou verdadeiramente este sentimento?

Que comportamento o meu impulso me está a pedir?

Essa escolha aproxima-me ou afasta-me da pessoa que quero ser?

Nem sempre vais conseguir responder imediatamente. E não há problema.

Por vezes, a melhor decisão é não enviar já aquela mensagem.

Não fazer aquela chamada.

Não tomar uma decisão definitiva enquanto ainda estás dominado pela intensidade do momento.

Dar tempo ao que sentes não é fraqueza. É maturidade.

Não podes controlar todas as emoções que aparecem. Não escolhes sempre o que te magoa, o que te irrita ou o que te assusta.

Mas podes aprender a escolher a forma como respondes.

Podes deixar a raiva mostrar-te que precisas de estabelecer um limite, sem transformar esse limite numa agressão.

Podes escutar a tristeza, sem permitir que ela te convença de que tudo está perdido.

Podes reconhecer a inveja, sem deixar que ela se transforme em ressentimento.

Podes aceitar o medo, sem permitir que ele determine todos os teus passos.

A verdadeira estabilidade emocional não consiste em viver num estado de calma permanente. Consiste em não entregares o comando da tua vida a cada sentimento passageiro.

As tuas emoções podem alertar-te.

Podem ensinar-te.

Podem revelar-te partes de ti que precisam de atenção.

Escuta-as, mas não lhes entregues o volante.

Tu és mais do que aquilo que sentes num determinado momento.

A emoção pode aparecer sem aviso, mas a tua resposta pode ser consciente.

E é nessa escolha, feita entre o impulso e a acção, que começas a construir uma vida com mais clareza, mais liberdade e mais domínio sobre ti próprio. 

Elisabete Mateus 



O Que as Máquinas Nunca Aprenderão: O Resgate do Nosso Espelho d’Água


Sim, o silício aprendeu a falar. 

A humanidade ensinou a areia a gerar e a compreender a linguagem natural. 

Ele imita o compasso dos nossos poetas e a precisão dos nossos cientistas com uma velocidade que assusta os desatentos. 

Diante das telas que tudo respondem, corremos o risco de criar uma geração de espelhos: velozes, brilhantes, mas vazios de luz própria.

A máquina calcula o mundo, mas não o sente. 

Ela projeta o amanhã, mas não conhece o peso da escolha ou a beleza do recomeço. 

Se entregarmos aos nossos filhos apenas as ferramentas do código e da técnica, nós os faremos órfãos de si mesmos. 

Educar na era dos algoritmos não é competir com o metal; é cultivar a terra do espírito. 

É ensinar a criança a olhar para a resposta pronta e perguntar: "De onde vem isso? Quem lucra com essa certeza?".

O pensamento crítico é o escudo que impede a mente de virar pasto para a manipulação invisível. 

Mais do que o brilho do pódio e a pressa da performance, a próxima geração precisa da lentidão do caráter. 

O mundo das máquinas resolve o complexo em segundos, mas desaba se faltar a honestidade no olhar, o freio do autocontrole e o abraço da empatia.

O algoritmo pode ser o maior amplificador da nossa ganância ou o farol da nossa expansão coletiva. 

A escolha não está no circuito, mas no peito de quem o comanda. 

No fim, quando a técnica for farta e comum, a moeda mais valiosa será aquilo que não se copia: o coração consciente, a escuta atenta e a coragem de permanecer humano.

O templo da infância não se molda com o cinzel do intelecto, mas com a atmosfera do exemplo. 

Antes que a palavra técnica preencha os dias da juventude, há uma linguagem invisível que os olhos dos pequenos traduzem em silêncio: a vibração do nosso próprio equilíbrio. 

Ninguém conduz uma alma jovem por vales de calmaria se carrega tempestades não resolvidas no próprio peito.

Educar, na sua expressão mais sagrada, é a arte de traduzir o invisível. 

Quando o medo ou a fúria visitarem as margens da mente dos novos caminhantes, não busquem o freio da repressão nem o abandono do descaso. 

Aprendam a ser o oceano que acolhe o rio revolto, oferecendo uma presença firme e imutável. 

É no reflexo da nossa serenidade que eles descobrem que os sentimentos são nuvens passageiras, enquanto a essência permanece intacta, límpida e soberana.

O autoconhecimento não brota de manuais, mas do espaço sagrado do escutar. 

Ensinem os passos do recolhimento, mostrando que o silêncio interior guarda uma sabedoria mais profunda do que o ruído das vozes externas. 

Quem aprende a decifrar a própria dor e a celebrar a própria alegria com lucidez jamais se tornará cativo das ilusões do mundo.

Que o lar e os espaços de partilha sejam santuários onde o erro é acolhido como adubo para a evolução, e onde a compaixão seja o ar que se respira de manhã até o anoitecer. 

Se a base moral de uma sociedade é frágil, ela potencializa a desinformação, o egoísmo e a desigualdade. 

Mas, se fortalecermos o caráter através da empatia, da cooperação e da responsabilidade, garantiremos que a automação seja usada para o bem-estar social, e não para a alienação. A inteligência emocional torna-se, então, a verdadeira âncora do indivíduo.

Fonte: Transcender o Eu





Reflexão do dia


ESTAMOS AQUI PARA EVOLUIRMOS ESPIRITUALMENTE, É O QUE DIZEM, E TUDO O QUE PRECISAMOS JÁ ESTÁ DENTRO DE NÓS. E AS PESSOAS POR NÃO SABEREM, OU NÃO ENTENDEREM, VÃO PROCURAR ESSE PREENCHIMENTO EM COISAS VAZIAS, OU EM OUTROS. MAS NÃO ENCONTRAM E PASSAM A ENCARNAÇÃO DESILUDIDOS E INFELIZ. TUDO O QUE VOCÊ PRECISA, JÁ ESTÁ EM VOCÊ. INTERIORIZE-SE E ENCONTRE.

Rose Carmago

Iniciando a semana

 



Que a sua semana comece com o pé direito, o coração leve e a certeza de que cada amanhecer é uma nova oportunidade para viver com propósito e paz. Lembre-se de respeitar o seu próprio tempo, pois ir devagar ainda é avançar e descansar também é progredir. Respire fundo, proteja a sua energia e confie no seu processo para ter uma jornada abençoada e produtiva. Boa sorte!

03/10/2026

O Guardião do Espelho D’Água


No alto de uma colina onde o vento costumava silenciar para ouvir os homens, vivia um velho mestre chamado Akil. Ele cuidava de um jardim singular, cujo centro abrigava uma fonte de águas perfeitamente calmas. Jovens de todas as aldeias vinham até ali para aprender a arte de enxergar o invisível.

Certo dia, um jovem aprendiz chegou ao jardim com os olhos inquietos e o peito arfante. O mundo lá embaixo corria rápido, cheio de vozes de metal e luzes artificiais que respondiam a tudo antes mesmo que se pudesse pensar.

— Mestre, sinto que carrego um incêndio dentro de mim. Às vezes é medo do amanhã, às vezes é uma fúria que não sei de onde vem. Como posso guiar os outros se não consigo sequer governar o meu próprio peito?

Akil não respondeu com teorias. Apenas caminhou até a fonte e entregou uma pequena pedra ao rapaz.

— Jogue-a no centro da água; ordenou o mestre.

O jovem obedeceu. A pedra rompeu a superfície e, imediatamente, círculos concêntricos se espalharam, distorcendo o reflexo do céu e das árvores. A água tornou-se turva com a areia que subiu do fundo.

— O que você vê agora?(perguntou Akil)

— Caos, mestre. A beleza do céu sumiu na água.

— Pois bem. Tente consertar a superfície.

Use as mãos, ordene que a água se acalme, force as ondas a pararem.

O aprendiz mergulhou as mãos na fonte, tentando aplacar o movimento. Quanto mais batia na água e tentava contê-la, mais ondas criava e mais a lama do fundo se misturava à superfície. Cansado, ele parou e olhou para o mestre, frustrado.

— Não posso governar o movimento da água lutando contra ele (lamentou o jovem)

Akil sorriu com profunda compaixão, sentou-se ao lado do rapaz e disse:

— Sente-se e observe.

Eles ficaram em silêncio. O vento cessou. Aos poucos, a gravidade fez a lama descer novamente para o fundo. O movimento das ondas cansou-se de si mesmo e desfez-se em calmaria. Em poucos minutos, a superfície voltou a ser um espelho perfeito, refletindo não apenas o céu, mas o próprio rosto do jovem, agora sereno.

— As tuas emoções, e as daqueles que olham para ti em busca de direção, são como esta fonte (explicou Akil). O erro da maioria é tentar combater a tempestade com mais ruído, ou tentar conter o sentimento à força. Isso apenas agita o fundo e turva a visão.

O mestre tocou o coração do jovem e concluiu:

— Educar a alma não é proibir a pedra de cair, pois a vida trará impactos. Educar é ensinar a arte de sentar-se à margem, respirar e esperar que a lama decante. Quando você se torna o espaço calmo que observa a agitação sem se misturar a ela, a clareza retorna. Só quem conhece a quietude do próprio espelho d'água pode guiar outra alma de volta ao seu centro.

Fonte: Transcender o Eu

EU ME AMO


 

OS AGHORIS


Os Aghoris são uma pequena ordem de ascetas do hinduísmo tântrico, devotos de Shiva, e estão entre os grupos espirituais mais incompreendidos da Índia. A maior parte vive em Varanasi, considerada a cidade mais sagrada do hinduísmo. Suas origens remontam às antigas tradições Kapalika, mas a linhagem atual é geralmente associada a Baba Keenaram, entre os séculos XVII e XVIII. 

O nome "Aghora" significa algo como "sem medo", "sem horror" ou "livre de aversão". A filosofia deles parte da ideia de que tudo é manifestação do divino. Assim, as divisões entre puro e impuro, vida e morte, belo e repulsivo são vistas como construções da mente que precisam ser transcendidas. 

Por isso, alguns Aghoris realizam práticas que chocam a maioria das pessoas:

✔️Meditam em crematórios.

✔️Cobrem o corpo com cinzas de cremações.

✔️Utilizam crânios humanos como recipientes rituais.

✔️Em casos muito raros e ritualísticos, alguns relatos descrevem o consumo de pequenas quantidades de restos mortais encontrados nos locais de cremação. Isso não faz parte do hinduísmo em geral e nem é uma prática comum entre todos os Aghoris. 

O objetivo dessas práticas não é a violência ou o culto à morte. Para eles, trata-se de destruir o ego, vencer o medo da morte e experimentar uma percepção de unidade com toda a existência. 

Também existe muito sensacionalismo. Documentários e redes sociais costumam destacar apenas os rituais mais extremos, quando, na realidade, muitos Aghoris levam uma vida de meditação, devoção a Shiva e disciplina espiritual, sem realizar as práticas mais controversas. 

É um caminho espiritual extremamente rigoroso e raro, muito diferente da imagem de "seita macabra" que costuma aparecer na cultura popular.

A FILOSOFIA DOS AGHORIS 

A filosofia dos Aghoris (ou Aghoris) é uma das mais radicais e incompreendidas da Índia. Ela não gira em torno do choque pelo choque, mas da ideia de transcender todos os dualismos, como puro e impuro, belo e feio, vida e morte.

Os principais pilares são:

1. Tudo é Shiva 

Para os Aghoris, tudo o que existe é uma manifestação de Shiva. Se tudo é divino, então nada é inerentemente impuro ou profano. A divisão entre "sagrado" e "impuro" é vista como uma criação da mente.

2. Destruir o ego 

Eles buscam eliminar o ego e os condicionamentos sociais. Por isso praticam ações que a maioria das pessoas considera impensáveis: viver em cemitérios, cobrir o corpo com cinzas de cremação e meditar diante da morte. A intenção é romper o apego ao medo, ao nojo e à identidade pessoal.

3. Encarar a morte de frente 

Os locais de cremação são considerados espaços de profunda contemplação. Ali, a impermanência da vida é impossível de ignorar. Para um Aghori, lembrar constantemente da morte é um caminho para viver com mais lucidez.

4. Não-dualidade (Advaita) 

Eles seguem uma visão não dual: não existe uma separação absoluta entre Deus, o ser humano e o universo. O objetivo é realizar essa unidade diretamente, não apenas compreendê-la intelectualmente.

5. Quebrar tabus 

Alguns Aghoris realizam práticas extremas, como utilizar objetos provenientes de cremações e, em casos raros e ritualísticos, consumir pequenas quantidades de restos humanos. Essas práticas não são vistas por eles como atos de violência ou perversão, mas como exercícios para destruir o apego às convenções sociais. É importante destacar que nem todos os Aghoris fazem isso, e muitos jamais realizam essas práticas.

No fundo, a mensagem deles pode ser resumida em uma frase:

✨️ A iluminação acontece quando nada mais pode ser rejeitado, porque tudo é reconhecido como parte do Absoluto.✨️

Essa visão é profundamente ligada ao Shivaísmo Tântrico, especialmente à tradição de Baba Keenaram, considerado o grande mestre histórico dos Aghoris.

É uma tradição cercada de mitos e sensacionalismo. Embora algumas práticas sejam realmente extremas, a filosofia central não incentiva violência ou crueldade. Seu foco é a libertação espiritual por meio da superação do medo, do ego e da ideia de separação entre o divino e o mundo.

✨️💜

Jacki Conti 

02/10/2026

Reflexão da Noite

 


Cromoterapia: como ela influencia no seu bem estar


Você sabia que as cores têm forte poder de mudar a nossa percepção das coisas e até mexer com nosso humor? Experimente entrar em um quarto todo preto, por exemplo. Aposto que você consegue imaginar que a sensação de estar em um espaço assim não vai ser das melhores. Agora imagine-se em um quarto colorido. Qual a sensação? Isso se chama cromoterapia.

O que é cromoterapia

A cromoterapia é a utilização de cores como um meio terapêutico para tratar problemas físicos e emocionais, estabelecendo a harmonia entre o corpo, a mente e as emoções. Para isso, utilizam-se as ondas emitidas pelas tonalidades amarelo, vermelho, azul, verde ou laranja, que atuam diretamente nas células. 

Além disso, é possível diversificar as cores, já que cada uma delas tem uma função terapêutica diferente e atua em um chakra ou órgão

Como funciona?

A cromoterapia pode ser associada a várias práticas esotéricas, como o Feng Shui, a astrologia e os cristais. Ela é baseada nas sete cores do arco-íris (amarelo, azul, laranja, índigo, verde, violeta, vermelho e rosa), sendo que cada tonalidade possui uma vibração energética diferente, propagando efeitos em determinado espaço. 

Vermelho: Estimula a atividade mental, revigora a coragem e aumenta a força de vontade. Sua ação ativa a circulação e o sistema nervoso.

Laranja: Incentiva a mente e as novas idéias. Energiza e ajuda a eliminar as gorduras da área localizada.

Amarelo: Estimula o raciocínio e ajuda no autocontrole. Tem ação inspiradora e regenera os ossos.

Verde: Significa esperança e satisfação. Traz força e progresso mental. Acalma o sistema nervoso e os sentidos. Possui ações anti-sépticas, vaso-dilatadoras e relaxante dos nervos.

Azul: Transmite calma e tranquilidade. Tem ação anti-stress e analgésica. Equilibra o lado espiritual.

Anil: Purifica a corrente sanguínea. Possui ação anestésica e coagulante.

Violeta: Favorece a saúde e transforma as energias negativas em positivas. Acalma o coração, a mente e os nervos. Atua como sedativo dos nervos motores e do sistema linfático. Cauteriza as infecções e as inflamações.

Principais benefícios da cromoterapia

A cromoterapia traz diversos benefícios para o corpo e mente, contribuindo com o bem-estar e a melhora na qualidade de vida. Entre as vantagens do tratamento, destacam-se: 

Alívio de sintomas de determinadas doenças;

Melhor bem-estar físico e mental;

Diminuição da fadiga e cansaço;

Melhora dos transtornos do sono;

Ajuda no tratamento da dor de cabeça;

Estimula o sistema nervoso;

Contribui para reduzir o estresse e ansiedade.

Em muitos casos, a cromoterapia pode ser usada como um tratamento complementar, já que ela também contribui com a melhor circulação sanguínea, o que é ótimo para reduzir os riscos das doenças cardiovasculares.

Apesar dos inúmeros benefícios da cromoterapia, é preciso ter cuidado com o tratamento, já que a aplicação de cores erradas pode ter efeitos indesejados nos pacientes. Por esse motivo, recomenda-se que a terapia seja orientada por um profissional devidamente habilitado e com experiência no tratamento.

Gratidão por estar aqui!