03/10/2026

O Guardião do Espelho D’Água


No alto de uma colina onde o vento costumava silenciar para ouvir os homens, vivia um velho mestre chamado Akil. Ele cuidava de um jardim singular, cujo centro abrigava uma fonte de águas perfeitamente calmas. Jovens de todas as aldeias vinham até ali para aprender a arte de enxergar o invisível.

Certo dia, um jovem aprendiz chegou ao jardim com os olhos inquietos e o peito arfante. O mundo lá embaixo corria rápido, cheio de vozes de metal e luzes artificiais que respondiam a tudo antes mesmo que se pudesse pensar.

— Mestre, sinto que carrego um incêndio dentro de mim. Às vezes é medo do amanhã, às vezes é uma fúria que não sei de onde vem. Como posso guiar os outros se não consigo sequer governar o meu próprio peito?

Akil não respondeu com teorias. Apenas caminhou até a fonte e entregou uma pequena pedra ao rapaz.

— Jogue-a no centro da água; ordenou o mestre.

O jovem obedeceu. A pedra rompeu a superfície e, imediatamente, círculos concêntricos se espalharam, distorcendo o reflexo do céu e das árvores. A água tornou-se turva com a areia que subiu do fundo.

— O que você vê agora?(perguntou Akil)

— Caos, mestre. A beleza do céu sumiu na água.

— Pois bem. Tente consertar a superfície.

Use as mãos, ordene que a água se acalme, force as ondas a pararem.

O aprendiz mergulhou as mãos na fonte, tentando aplacar o movimento. Quanto mais batia na água e tentava contê-la, mais ondas criava e mais a lama do fundo se misturava à superfície. Cansado, ele parou e olhou para o mestre, frustrado.

— Não posso governar o movimento da água lutando contra ele (lamentou o jovem)

Akil sorriu com profunda compaixão, sentou-se ao lado do rapaz e disse:

— Sente-se e observe.

Eles ficaram em silêncio. O vento cessou. Aos poucos, a gravidade fez a lama descer novamente para o fundo. O movimento das ondas cansou-se de si mesmo e desfez-se em calmaria. Em poucos minutos, a superfície voltou a ser um espelho perfeito, refletindo não apenas o céu, mas o próprio rosto do jovem, agora sereno.

— As tuas emoções, e as daqueles que olham para ti em busca de direção, são como esta fonte (explicou Akil). O erro da maioria é tentar combater a tempestade com mais ruído, ou tentar conter o sentimento à força. Isso apenas agita o fundo e turva a visão.

O mestre tocou o coração do jovem e concluiu:

— Educar a alma não é proibir a pedra de cair, pois a vida trará impactos. Educar é ensinar a arte de sentar-se à margem, respirar e esperar que a lama decante. Quando você se torna o espaço calmo que observa a agitação sem se misturar a ela, a clareza retorna. Só quem conhece a quietude do próprio espelho d'água pode guiar outra alma de volta ao seu centro.

Fonte: Transcender o Eu

EU ME AMO


 

OS AGHORIS


Os Aghoris são uma pequena ordem de ascetas do hinduísmo tântrico, devotos de Shiva, e estão entre os grupos espirituais mais incompreendidos da Índia. A maior parte vive em Varanasi, considerada a cidade mais sagrada do hinduísmo. Suas origens remontam às antigas tradições Kapalika, mas a linhagem atual é geralmente associada a Baba Keenaram, entre os séculos XVII e XVIII. 

O nome "Aghora" significa algo como "sem medo", "sem horror" ou "livre de aversão". A filosofia deles parte da ideia de que tudo é manifestação do divino. Assim, as divisões entre puro e impuro, vida e morte, belo e repulsivo são vistas como construções da mente que precisam ser transcendidas. 

Por isso, alguns Aghoris realizam práticas que chocam a maioria das pessoas:

✔️Meditam em crematórios.

✔️Cobrem o corpo com cinzas de cremações.

✔️Utilizam crânios humanos como recipientes rituais.

✔️Em casos muito raros e ritualísticos, alguns relatos descrevem o consumo de pequenas quantidades de restos mortais encontrados nos locais de cremação. Isso não faz parte do hinduísmo em geral e nem é uma prática comum entre todos os Aghoris. 

O objetivo dessas práticas não é a violência ou o culto à morte. Para eles, trata-se de destruir o ego, vencer o medo da morte e experimentar uma percepção de unidade com toda a existência. 

Também existe muito sensacionalismo. Documentários e redes sociais costumam destacar apenas os rituais mais extremos, quando, na realidade, muitos Aghoris levam uma vida de meditação, devoção a Shiva e disciplina espiritual, sem realizar as práticas mais controversas. 

É um caminho espiritual extremamente rigoroso e raro, muito diferente da imagem de "seita macabra" que costuma aparecer na cultura popular.

A FILOSOFIA DOS AGHORIS 

A filosofia dos Aghoris (ou Aghoris) é uma das mais radicais e incompreendidas da Índia. Ela não gira em torno do choque pelo choque, mas da ideia de transcender todos os dualismos, como puro e impuro, belo e feio, vida e morte.

Os principais pilares são:

1. Tudo é Shiva 

Para os Aghoris, tudo o que existe é uma manifestação de Shiva. Se tudo é divino, então nada é inerentemente impuro ou profano. A divisão entre "sagrado" e "impuro" é vista como uma criação da mente.

2. Destruir o ego 

Eles buscam eliminar o ego e os condicionamentos sociais. Por isso praticam ações que a maioria das pessoas considera impensáveis: viver em cemitérios, cobrir o corpo com cinzas de cremação e meditar diante da morte. A intenção é romper o apego ao medo, ao nojo e à identidade pessoal.

3. Encarar a morte de frente 

Os locais de cremação são considerados espaços de profunda contemplação. Ali, a impermanência da vida é impossível de ignorar. Para um Aghori, lembrar constantemente da morte é um caminho para viver com mais lucidez.

4. Não-dualidade (Advaita) 

Eles seguem uma visão não dual: não existe uma separação absoluta entre Deus, o ser humano e o universo. O objetivo é realizar essa unidade diretamente, não apenas compreendê-la intelectualmente.

5. Quebrar tabus 

Alguns Aghoris realizam práticas extremas, como utilizar objetos provenientes de cremações e, em casos raros e ritualísticos, consumir pequenas quantidades de restos humanos. Essas práticas não são vistas por eles como atos de violência ou perversão, mas como exercícios para destruir o apego às convenções sociais. É importante destacar que nem todos os Aghoris fazem isso, e muitos jamais realizam essas práticas.

No fundo, a mensagem deles pode ser resumida em uma frase:

✨️ A iluminação acontece quando nada mais pode ser rejeitado, porque tudo é reconhecido como parte do Absoluto.✨️

Essa visão é profundamente ligada ao Shivaísmo Tântrico, especialmente à tradição de Baba Keenaram, considerado o grande mestre histórico dos Aghoris.

É uma tradição cercada de mitos e sensacionalismo. Embora algumas práticas sejam realmente extremas, a filosofia central não incentiva violência ou crueldade. Seu foco é a libertação espiritual por meio da superação do medo, do ego e da ideia de separação entre o divino e o mundo.

✨️💜

Jacki Conti 

02/10/2026

Reflexão da Noite

 


Cromoterapia: como ela influencia no seu bem estar


Você sabia que as cores têm forte poder de mudar a nossa percepção das coisas e até mexer com nosso humor? Experimente entrar em um quarto todo preto, por exemplo. Aposto que você consegue imaginar que a sensação de estar em um espaço assim não vai ser das melhores. Agora imagine-se em um quarto colorido. Qual a sensação? Isso se chama cromoterapia.

O que é cromoterapia

A cromoterapia é a utilização de cores como um meio terapêutico para tratar problemas físicos e emocionais, estabelecendo a harmonia entre o corpo, a mente e as emoções. Para isso, utilizam-se as ondas emitidas pelas tonalidades amarelo, vermelho, azul, verde ou laranja, que atuam diretamente nas células. 

Além disso, é possível diversificar as cores, já que cada uma delas tem uma função terapêutica diferente e atua em um chakra ou órgão

Como funciona?

A cromoterapia pode ser associada a várias práticas esotéricas, como o Feng Shui, a astrologia e os cristais. Ela é baseada nas sete cores do arco-íris (amarelo, azul, laranja, índigo, verde, violeta, vermelho e rosa), sendo que cada tonalidade possui uma vibração energética diferente, propagando efeitos em determinado espaço. 

Vermelho: Estimula a atividade mental, revigora a coragem e aumenta a força de vontade. Sua ação ativa a circulação e o sistema nervoso.

Laranja: Incentiva a mente e as novas idéias. Energiza e ajuda a eliminar as gorduras da área localizada.

Amarelo: Estimula o raciocínio e ajuda no autocontrole. Tem ação inspiradora e regenera os ossos.

Verde: Significa esperança e satisfação. Traz força e progresso mental. Acalma o sistema nervoso e os sentidos. Possui ações anti-sépticas, vaso-dilatadoras e relaxante dos nervos.

Azul: Transmite calma e tranquilidade. Tem ação anti-stress e analgésica. Equilibra o lado espiritual.

Anil: Purifica a corrente sanguínea. Possui ação anestésica e coagulante.

Violeta: Favorece a saúde e transforma as energias negativas em positivas. Acalma o coração, a mente e os nervos. Atua como sedativo dos nervos motores e do sistema linfático. Cauteriza as infecções e as inflamações.

Principais benefícios da cromoterapia

A cromoterapia traz diversos benefícios para o corpo e mente, contribuindo com o bem-estar e a melhora na qualidade de vida. Entre as vantagens do tratamento, destacam-se: 

Alívio de sintomas de determinadas doenças;

Melhor bem-estar físico e mental;

Diminuição da fadiga e cansaço;

Melhora dos transtornos do sono;

Ajuda no tratamento da dor de cabeça;

Estimula o sistema nervoso;

Contribui para reduzir o estresse e ansiedade.

Em muitos casos, a cromoterapia pode ser usada como um tratamento complementar, já que ela também contribui com a melhor circulação sanguínea, o que é ótimo para reduzir os riscos das doenças cardiovasculares.

Apesar dos inúmeros benefícios da cromoterapia, é preciso ter cuidado com o tratamento, já que a aplicação de cores erradas pode ter efeitos indesejados nos pacientes. Por esse motivo, recomenda-se que a terapia seja orientada por um profissional devidamente habilitado e com experiência no tratamento.

Gratidão por estar aqui!

Reflexão do dia


Quando alguém tenta te ferir, recorda: ninguém fere do nada. A agressão que vem de fora quase sempre nasce da dor que o outro carrega por dentro. O insulto é apenas a superfície de uma ferida que ele não conseguiu curar.

Se alguém te mente, não te apresses em julgar. A mentira, muitas vezes, é disfarce do vazio que a pessoa não suporta revelar. Quem mente teme ser rejeitado pelo que é, e então se esconde atrás de ilusões frágeis.

Se alguém te trai, observa não apenas o ato, mas a solidão que o acompanha. A traição é o grito dos corações que não aprenderam a ser fiéis nem a si mesmos. 

Se alguém zombar de ti, não devolvas com ira. O escárnio denuncia os traumas que ainda queimam na alma do zombador. Quem ri da dor alheia, muitas vezes, aprendeu cedo demais a rir para não chorar.

Se alguém te despreza, não te sintas diminuído. O desprezo revela muito mais sobre a miséria interior daquele que o pratica do que sobre ti. Quem despreza, na verdade, não suporta reconhecer a própria fragilidade.

Se alguém te inveja, não carregues mágoa. A inveja é apenas a confissão da frustração íntima. Quem inveja não deseja tua perda, mas a vida que ainda não conseguiu construir para si.

Por isso, não te sintas ofendido pelos defeitos alheios. Cada pessoa traz suas lutas invisíveis, suas cicatrizes ocultas, suas batalhas silenciosas. A ofensa é o retrato da dor do outro, não da tua essência.

Trabalha, sim, para corrigir teus próprios defeitos. Sê vigilante com tuas palavras, paciente com tuas fraquezas, firme no propósito de crescer. Busca ser gentil, mesmo com quem não compreende a gentileza; sê bondoso, sobretudo com quem mais carece de bondade.

Não te preocupes tanto em alimentar o ego, que exige aplausos e vanglória, mas aprende a alimentar a alma, que pede silêncio, fé e coerência. O que sustenta tua vida não é a vaidade, mas o espírito que se fortalece no amor.

E nunca esqueças: por mais duras que sejam as ofensas, o amor é a chave. É ele que abre portas que a razão não consegue, que cura feridas que o tempo não sara, que dissolve rancores e ergue pontes sobre os abismos. O amor é a resposta maior, e é nele que está a verdadeira vitória.

JoelBorella

O mundo não vai pausar por você


Até quando você vai ficar aí esperando... que alguém te veja, te compreenda, te salve?

O mundo não vai pausar porque você está deseja. E ninguém vai te tirar da prisão que você mesmo alimenta, se continuar entregando a chave do seu bem-estar nas mãos dos outros.

Liberdade emocional não é presente - é conquista. E ela começa quando você para de esperar que te libertem... e começa a perceber, com honestidade, onde exatamente você se aprisiona.

Porque viver na dor é estar preso a padrões que te amarram a tudo aquilo que você já não quer mais. E o conhecimento dos seus Traços de Caracteres que te liberta de viver segundo a forma dos outros.

Se o seu Traço mais forte for o Esquizoide, talvez você tenha aprendido a se esconder para evitar a rejeição. E, enquanto espera que alguém prove que você pertence, continua preso no próprio isolamento.

Se o seu Traço for o Oral, talvez você viva esperando ser acolhido, cuidado, que não te deixem só. Mas a cada vez que depende do outro para se sentir inteiro, amarra mais um nó n sua liberdade.

Se o seu Traço predominante for o Psicopata, é possível que tema ser usado ou manipulado. E, enquanto vive desconfiando das intenções dos outros, se prende tentando controlar tudo

— como se só assim pudesse se sentir seguro.

Se tiver muito do Masoquista, talvez tenha aprendido a suportar calado, esperando que alguém veja tudo o que você aguenta. Mas, enquanto espera esse reconhecimento, continua acorrentado ao peso que nunca foi seu.

E se for o Rígido o mais marcante em você, talvez esteja sempre buscando validação para se sentir suficiente. Preso à necessidade de ser perfeito, de ser admirado... e, nesse esforço, a liberdade vai escorrendo pelos dedos.

Todos nós, de algum jeito, criamos prisões emocionais esperando que alguém venha nos libertar. Mas ninguém tem essa chave.

A verdadeira liberdade começa quando você entende que não adianta esperar que o mundo te salve das suas dores. A chave está em conhecer os seus Traços, abraçar os seus Recursos e usá-los a seu favor.

É nessa virada de chave que a sua liberdade começa. Não vem de fora. Não vem do outro. Vem de dentro. Vem de você.

Então, me diz... até quando você vai esperar?

Carol kailli

Salto Quântico 


Irritação e Domínio


Aquilo que te irrita raramente tem a ver apenas com o que está diante dos seus olhos. A irritação, assim como o estresse, muitas vezes nasce muito antes do momento presente. Pode vir de uma criança que foi duramente cobrada, que não podia errar, que aprendeu cedo que amor e aceitação vinham condicionados ao desempenho, à organização e ao controle. Para essa criança, fazer tudo do jeito certo não era uma escolha. Era uma forma de sobrevivência emocional.

Quando esse funcionamento se torna um padrão interno, tudo aquilo que ameaça essa ordem passa a ser vivido como perigo. O que desorganiza o padrão ativa estados automáticos de alerta, como se algo grave estivesse prestes a acontecer. O corpo reage antes da consciência. Surgem a raiva, a tensão e o estresse, acompanhados de conflitos desproporcionais ao que realmente está acontecendo.

Não é sobre o pó do pão no chão. Não é sobre o prato que ficou na pia. Não é sobre o talher fora do lugar. É sobre o que isso desperta internamente. Essas situações tocam uma ferida antiga, uma memória emocional onde errar significava perder afeto, ser criticada ou não ser suficiente. O presente apenas acende o gatilho. A dor vem do passado.

Quando essa origem não é reconhecida, a pessoa passa a tentar controlar o externo para aliviar o interno. Quanto mais tenta controlar, mais se torna refém da própria irritação. Tudo precisa estar no lugar, no tempo certo e do jeito certo, porque inconscientemente isso parece garantir segurança emocional.

O custo disso é alto. A irritação constante rouba a leveza, desgasta relações e mantém a pessoa presa a um estado permanente de vigilância. Aquilo que poderia ser pequeno se torna grande. O que poderia ser ajustado vira conflito. Sem perceber, a pessoa passa a ser dominada exatamente por aquilo que mais combate.

A libertação começa quando se entende que o incômodo não está fora, mas dentro.

Texto por: Psicanalise Inconsciente

Sol e Lua


Conta uma antiga lenda que, no princípio dos tempos, o Sol e a Lua se apaixonaram. Amaram-se com esse amor que não se explica, apenas acontece, como se já viesse escrito no coração do universo. Mas o destino colocou-os em lados diferentes do céu: ao Sol entregou o dia, à Lua confiou a noite. E desde então vivem assim… quando um chega, o outro parte.

Dizem que o Sol, antes de desaparecer, deixa no horizonte um rasto de ouro e fogo para que a Lua saiba que ele esteve ali. E a Lua, quando a noite chega, acende-se inteira para que, mesmo do outro lado do mundo, ele nunca se esqueça dela. Talvez seja por isso que os fins de tarde sejam tão bonitos: são cartas de amor que o Sol deixa à Lua antes de partir.

Mas o universo teve pena daquele amor condenado à distância e ofereceu-lhes um instante raro para se encontrarem. Chamou-lhe eclipse. E, nesses breves momentos, o Sol e a Lua aproximam-se, o céu muda de cor, a luz prende a respiração e parece que o mundo inteiro fica em silêncio para não perturbar o abraço que esperou tanto tempo para acontecer.

Talvez esta lenda nunca tenha falado verdadeiramente do Sol e da Lua. Talvez fale de nós. Das pessoas que se amam e nem sempre podem ficar, dos abraços adiados, dos caminhos que a vida separou sem conseguir separar os corações. Porque existem amores que não precisam de acordar juntos todas as manhãs para continuarem vivos. Há amores que passam uma vida inteira separados e, ainda assim, nunca deixam de iluminar o mesmo céu.

Carlos Cabrita_escritor ✍️

O Sentido das Palavras Carlos Cabrita

01/10/2026

Essa imagem me fez voltar ao túnel do tempo... ⏳


Houve um tempo em que as redes sociais eram feitas de barbante e os nossos perfis eram atualizados na calçada. Bastava o sol começar a deitar para que as cadeiras de espaguete fossem arrastadas para a porta de casa. 

Ali, o vento do fim de tarde trazia o cheiro do café fresco e o eco das risadas. Os adultos vigiavam o mundo comentando a vida, enquanto as crianças redesenhavam o asfalto com giz, gols de chinelo e uma bola que parecia nunca parar de rolar. A rua não era um perigo a ser evitado; era a extensão da nossa própria sala de estar. 

Todos se conheciam, todos se cuidavam.

Mas o relógio do tempo correu depressa e, sem que percebêssemos, as cidades mudaram de tom. As calçadas foram encurtadas pelos carros, os muros subiram, as grades engrossaram e as telas ganharam o espaço que antes era do horizonte. O grito de "gol!" deu lugar ao silêncio dos fones de ouvido. O medo da violência trancou as portas por dentro e o brilho dos smartphones substituiu a luz do poste onde a gente se reunia.

Hoje, olhar para a rua vazia traz uma saudade que aperta o peito. Aquela época não volta mais, mas a nossa necessidade de conexão continua viva. Mudaram os cenários, mudaram os perigos, mas o desafio da nossa geração continua sendo o mesmo: encontrar novas formas de abrir o portão, descer para a praça e lembrar como é bom viver em comunidade. 

Bons tempos onde a gente encontrava os amigos no portão e lavava a alma de tanto rir. Quem aí lembra de alguma história marcante dessa época das cadeiras na calçada?

OS 5 MESTRES MAIS CRUÉIS QUE A VIDA ENVIA À NOSSA ALMA


Há mestres que chegam com livros.

Outros chegam com palavras.

Mas existem aqueles que chegam através da dor.

Não pedem licença.

Não avisam quando chegam.

E, muitas vezes, só compreendemos a razão da sua presença muito depois de terem passado pela nossa vida.

São mestres difíceis.

Mas deixam ensinamentos que nenhuma escola poderia ensinar.

1. A SOLIDÃO — O MESTRE QUE TE ENSINA A ENCONTRAR-TE

A solidão chega quando o silêncio se torna maior do que a presença das pessoas.

No início, parece abandono.

Parece que ninguém te vê, ninguém te entende e ninguém consegue alcançar aquilo que sentes.

Mas, quando o silêncio permanece, algo começa a acontecer.

És obrigado a olhar para dentro.

Descobres os teus medos, as tuas feridas, os teus sonhos esquecidos e, principalmente, descobres quem és quando não tens ninguém a quem impressionar.

A solidão ensina-te que estar sozinho não significa estar vazio.

Às vezes, é precisamente quando todos se afastam que finalmente te encontras contigo mesmo.

2. A TRAIÇÃO — O MESTRE QUE TE ENSINA A DISCERNIR

A traição dói porque vem de onde menos esperavas.

Não destrói apenas uma relação.

Destrói uma confiança, uma expectativa e, muitas vezes, a imagem que criaste de alguém.

Depois dela, já não olhas para as pessoas da mesma maneira.

Mas existe uma sabedoria escondida nessa ferida.

Aprendes a observar atitudes em vez de acreditar apenas em palavras.

Aprendes que nem todos os que caminham ao teu lado caminham na mesma direção.

E aprendes algo ainda mais importante:

confiar nos outros é bonito, mas nunca deves deixar de confiar na tua própria intuição.

A traição ensina-te a proteger o teu coração sem transformar esse coração num lugar fechado.

3. O FRACASSO — O MESTRE QUE TE ENSINA A LEVANTAR

O fracasso chega quando tinhas a certeza de que conseguirias.

É a porta que não abriu.

O projeto que não resultou.

O sonho que caiu.

A tentativa que terminou em derrota.

E, naquele momento, podes sentir que não és suficiente.

Mas o fracasso não veio para dizer quem és.

Veio para mostrar do que és capaz de te tornar.

Ele ensina humildade.

Ensina paciência.

Ensina persistência.

E, principalmente, ensina-te que cair não significa terminar.

Às vezes, a queda é o momento em que descobres que existe dentro de ti uma força que nunca tinhas sido obrigado a usar.

O fracasso não é o oposto do sucesso. Muitas vezes, é uma das suas maiores escolas.

4. A PERDA — O MESTRE QUE TE ENSINA A SOLTAR

A perda ensina uma das lições mais dolorosas da existência:

nada nos pertence para sempre.

Pessoas partem.

Ciclos terminam.

Lugares deixam de existir na nossa vida.

E existem despedidas que não estamos preparados para aceitar.

A perda ensina-te a amar sem possuir.

A agradecer sem prender.

A recordar sem viver no passado.

Porque amar alguém também pode significar aceitar que essa pessoa já não pode continuar a caminhar contigo.

Nem todas as pessoas chegam para permanecer.

Algumas chegam para transformar

Algumas deixam amor.

Outras deixam uma ferida.

Mas todas deixam alguma coisa.

E quando aprendemos a soltar sem ódio, percebemos que deixar ir não é perder.

É permitir que aquilo que terminou encontre o seu lugar na nossa história.

5. O TEMPO — O MESTRE QUE TE ENSINA A VIVER

E depois existe o tempo.

O mestre que não precisa de palavras.

Ele simplesmente passa.

Não espera por ninguém.

Não volta atrás.

Não devolve os dias que desperdiçámos.

Leva juventude, momentos, oportunidades e pessoas que pensávamos que estariam connosco para sempre.

E é precisamente por isso que o tempo nos oferece a sua maior lição:

o presente é um presente.

Não adies aquele abraço.

Não escondas aquele “amo-te”.

Não vivas eternamente preso ao que aconteceu ontem.

E não entregues toda a tua vida a um amanhã que ainda não chegou.

Porque enquanto esperamos pelo momento perfeito, a vida está a acontecer.

Agora.

Neste instante.

Neste único momento que nunca mais voltará.

A LIÇÃO DOS CINCO MESTRES

A solidão ensina-te a conhecer-te.

A traição ensina-te a discernir.

O fracasso ensina-te a levantar.

A perda ensina-te a libertar.

E o tempo ensina-te a viver.

Cinco mestres.

Cinco dores.

Cinco caminhos de transformação.

Talvez a vida não esteja contra ti quando te coloca diante destas experiências.

Talvez esteja a revelar-te aquilo que ainda precisas de aprender.

Porque há coisas que só conseguimos compreender depois de as viver.

E há versões de nós que só conseguem nascer depois de uma grande queda.

Por isso, se hoje estás a atravessar uma dor que não compreendes, não tenhas pressa de encontrar uma explicação.

Talvez ainda não seja tempo de compreender.

Talvez seja tempo de sentir.

De atravessar.

De confiar.

E de continuar.

Um dia, vais olhar para trás e perceber que algumas das maiores dores da tua vida também foram algumas das maiores transformações da tua alma.

E nesse dia, talvez já não perguntes:

“Por que razão isto aconteceu comigo?”

Talvez perguntes:

“O que é que isto veio despertar em mim?”

E essa pergunta pode mudar tudo.

Porque a cura não significa apagar o passado.

Significa conseguir olhar para ele sem deixar que ele continue a comandar o teu presente.

Significa agradecer pela pessoa que foste, abraçar a pessoa que és e confiar na pessoa que ainda estás a tornar-te.

E então compreenderás:

não eram apenas cinco mestres cruéis.

Eram cinco portas.

A porta para dentro.

A porta da consciência.

A porta da força

A porta do desapego.

E a porta da presença.

E talvez, no fim de toda esta caminhada, descubras que a vida nunca esteve a tentar quebrar-te.

Estava a ensinar-te a voltar para ti.

E quando finalmente voltares para ti…

já não precisarás de fugir da vida.

Vais simplesmente aprender a vivê-la.

Com mais presença.

Com mais gratidão.

Com mais amor.

E com a paz de quem finalmente compreendeu que até as dores que não escolheu…

também fizeram parte do caminho que o trouxe até aqui.

Alma consciente

OUTUBRO ROSA


Cuidar de si mesma não é egoísmo, é sobrevivência. 

O mesmo toque que previne é o toque que acolhe e respeita a sua história.

Vamos combinar uma coisa? Deixem a armadura de "super mulher" de lado por um instante. 

Marquem seus exames. Toquem-se. Cuidem-se.

Consciência Humana


Sem qualquer compromisso em estar realmente feliz... Surgem outras equações existenciais... Novos territórios mentais... Outros labirintos... Outros sentimentos... A eterna megalomania de sermos sempre o mesmo dissolvendo-se em lágrimas rotineiras... O futuro que me espera, jamais revelará seus segredos... Eu, por ventura, cultivo centenas de mistérios, guardo comigo as razões mais complexas, sou um amontoado de palavras indecifráveis, um fardo de declarações de dimensões interplanetárias, vagando em galáxias distantes... Além de todos os limites humanoides... Sou o improvável que está prestes a acontecer... Aprendi a reinventar os fatores que me compõe, sendo assim, de mim, ninguém jamais saberá o que esperar... Em mim, nunca encontrarão definições concretas, eu sou a indefinição de meu próprio ser, nada conseguirá me limitar...

- Anderson Beowulf .