Existe uma camada de comunicação que não passa pelas cordas vocais, um tipo de anúncio silencioso que a presença faz antes mesmo de qualquer "bom dia" ser pronunciado. É como se o corpo e a alma chegassem primeiro, entregando uma vibração que a nossa intuição capta de imediato, tentando traduzir aquele estranhamento ou aquela simpatia gratuita que surge sem explicação lógica.
Essa nossa antena interna é um recurso valioso, mas é preciso ter a humildade de saber que ela também é feita dos nossos próprios filtros, traumas e esperanças. Nem sempre o que sentimos como "energia ruim" do outro é uma verdade sobre ele; às vezes é apenas um desencontro de frequências ou uma defesa nossa que se ativa diante do desconhecido, sem que isso signifique um julgamento final sobre quem o outro é.
A beleza da intuição mora justamente nesse sussurro que nos pede atenção, mas não nos obriga à conclusão, permitindo que a gente sinta o clima da chegada sem fechar a porta para o que ainda pode ser revelado. É um equilíbrio delicado entre honrar aquele "arrepio" que a gente sente na espinha e manter a generosidade de entender que todo mundo carrega batalhas invisíveis que a nossa primeira percepção nem sempre consegue ler.
Respeitar essa energia que emana dos encontros é, no fundo, um exercício de autoconhecimento, onde a gente aprende a separar o que é do outro e o que é projeção nossa. No fim das contas, a presença fala alto, sim, mas o tempo e a convivência são os únicos que conseguem transformar aquele palpite intuitivo em uma compreensão real e profunda sobre a alma de quem está na nossa frente.
Fonte; Positividade












