13/03/2026

Reflexão


Quando foi que a vida virou uma lista de tarefas a ser cumprida?

Em algum momento, sem perceber, trocamos o mistério pelo controle.

O dia deixou de ser um espaço vivo, aberto, imprevisível… e passou a ser um quadro de horários.

Acordar, responder, produzir, resolver, entregar.

E no meio disso, existir virou quase um detalhe.

A vida, que antes era feita de presença, passou a ser feita de pendências.

Não foi um grande acontecimento.

Foi um acúmulo.

Uma pequena urgência hoje, outra amanhã.

Um “só preciso terminar isso” repetido tantas vezes que, quando vimos, já estávamos vivendo como quem está sempre atrasado para alguma coisa que nem sabe mais o quê.

Criamos uma religião moderna: a produtividade.

E nela, descansar é culpa.

Sentir é perda de tempo.

Silêncio é desperdício.

E a alma… vira um item que a gente deixa pra depois.

A lista de tarefas é útil, sim.

Mas ela é perigosa quando vira identidade.

Porque quando a vida se transforma apenas em cumprir, ela perde o sentido de ser.

E então começamos a confundir movimento com profundidade.

Achamos que estamos avançando, mas às vezes só estamos nos afastando de nós mesmos.

Existe algo profundamente triste em viver como quem está sempre “dando conta”.

Como se a existência fosse uma dívida.

E talvez a pergunta real não seja “quando isso aconteceu?”, mas sim: em que momento esquecemos que a vida não é uma obrigação…

é uma experiência?

A vida não cabe numa checklist.

Ela acontece no intervalo.

No olhar que demora.

Na conversa sem objetivo.

Na tarde que não rende nada, mas cura.

No riso que não estava planejado.

No simples fato de respirar sem precisar justificar.

Talvez seja hora de riscar algumas coisas da lista.

Não por preguiça.

Mas por sabedoria.

Porque no fim, ninguém se lembra do quanto você produziu.

Você se lembra do quanto esteve aqui.

@julianavitalp

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