03/02/2026

AMAR


Amar assim....“ Há despedidas que não fazem barulho, mas estremecem tudo por dentro. Elas chegam como um silêncio pesado, desses que ocupam a casa inteira e permanecem mesmo depois que as portas se fecham. O corpo fica, o tempo continua andando, mas algo essencial parte antes da gente conseguir entender. Fica a sensação de que o mundo seguiu rápido demais para quem ainda precisava de mais um instante.

O céu, dizem, ganha quem foi luz aqui. E talvez seja por isso que a ausência doa tanto. Não é só a falta do toque, da voz ou do riso conhecido, é o vazio deixado por alguém que iluminava sem perceber. A memória passa a ser abrigo e também ferida, porque nela tudo ainda está vivo, intacto, esperando por um retorno que não vem.

Existem lágrimas que não caem, apenas permanecem presas no peito. Elas aparecem quando uma música toca sem aviso, quando um cheiro atravessa o ar ou quando o olhar encontra um lugar que antes fazia sentido. Nessas horas, o coração aprende que amar também é carregar saudade como parte do próprio nome.

O adeus nunca é completo. Ele se espalha em pequenos detalhes do dia, nas frases que quase são ditas, nos conselhos que ecoam sem som. Quem parte leva consigo um pedaço do mundo de alguém, mas deixa raízes profundas em quem fica. São essas raízes que sustentam quando o chão parece faltar.

Há quem ganhe o céu sem deixar a terra. Permanece nos gestos que aprendemos, na força que nasce da dor, na capacidade de continuar mesmo com o coração em luto. O amor não termina na despedida, ele apenas muda de forma e passa a morar num lugar onde o tempo não alcança.

E assim seguimos, aprendendo a conviver com a ausência como quem aprende a respirar de novo. Com saudade, com respeito, com amor. Sabendo que alguns adeuses não significam fim, mas passagem. Porque quem ganha o céu jamais se perde de verdade, apenas muda de morada e passa a viver dentro de quem jamais deixou de amar..”

________________

 Amor Incondicional

Nenhum comentário:

Postar um comentário