04/02/2026

VAZIOS


Existem vazios que não respondem ao toque das coisas.

Nem ao brilho das conquistas.

Nem ao conforto do acúmulo.

Porque não nasceram da falta de matéria, nasceram da ausência de sentido.

O vazio espiritual não faz alarde.

Ele se manifesta em silêncio.

É uma inquietação suave, persistente, que atravessa dias cheios e noites cansadas.

Quanto mais se tenta abafá-lo, mais ele pede atenção.

Busca-se preencher com movimento.

Com distrações.

Com excessos que prometem alívio e entregam apenas cansaço.

Nada disso resolve.

Porque não é fome de possuir.

É sede de pertencer.

Não pede mais.

Pede verdade.

O vazio espiritual aparece quando a vida perde o eixo.

Quando o fazer engole o ser.

Quando a alma vai sendo empurrada para depois, para outro dia, para um momento que nunca chega.

Nada material dialoga com o invisível.

Nada palpável alcança o que é essência.

O espírito reconhece apenas o que é autêntico.

Por isso, alguém pode estar cercado de tudo e sentir nada.

E outro, com quase nada, sentir plenitude.

A diferença não mora fora.

Mora no reencontro.

O vazio espiritual não quer ser tapado.

Quer ser escutado.

Quer espaço.

Quer silêncio.

Quando a consciência se alinha, ele se dissolve.

Não porque foi preenchido.

Mas porque foi compreendido.

E onde existe compreensão, nasce paz.

Mesmo que o mundo continue imperfeito.

Via Diário Espírita

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