10/02/2026

A Sombra como Guia: enfrentando o que evitamos para descobrir quem somos


Carl Gustav Jung dizia que “ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão”.

A sombra, em sua concepção, não é apenas aquilo que escondemos dos outros, mas sobretudo o que escondemos de nós mesmos. É o território dos medos, das culpas, dos desejos reprimidos. E, paradoxalmente, é também o caminho para a autenticidade.  

Platão, em sua alegoria da caverna, já sugeria que vivemos presos às sombras projetadas na parede, evitando encarar a luz que revela a realidade. Mas Jung nos convida a inverter o olhar: não fugir das sombras, mas entrar nelas, pois é ali que mora a chave de nossa individuação.  

Conto da Floresta

Conta-se que um jovem guerreiro, ao atravessar uma floresta escura, encontrou um monstro que o aterrorizava desde a infância. Em vez de lutar ou fugir, decidiu sentar-se diante dele. O monstro, surpreso, perguntou: “Por que não corres?”. O guerreiro respondeu: “Porque já corri demais. Quero saber quem você é”. O monstro sorriu e se dissolveu em fumaça, revelando apenas um espelho. O reflexo que o guerreiro viu não era de um inimigo, mas de si mesmo.  

Filosofia e Existência

Nietzsche afirmava que “aquele que combate monstros deve cuidar para que não se torne um monstro”. A sombra nos lembra disso: ao negá-la, projetamos nos outros o que não aceitamos em nós. Kierkegaard, por sua vez, via o desespero como a recusa de ser quem realmente somos. Enfrentar a sombra é, portanto, aceitar o desespero como parte da jornada, até que ele se transforme em liberdade.  

Exemplos cotidianos

- O medo de fracassar pode esconder um desejo profundo de criar.  

- A raiva reprimida pode revelar uma necessidade de justiça.  

- A tristeza persistente pode ser um chamado para mudar de caminho.  

Assim, o que evitamos é muitas vezes o que nos guia.  

Conto do Espelho Partido

Uma mulher vivia em uma casa cheia de espelhos, mas todos estavam cobertos por panos. Um dia, um vento forte arrancou os tecidos e ela viu sua imagem fragmentada em mil pedaços. Chorou, pensando estar quebrada. Mas ao recolher cada fragmento, percebeu que podia montar um mosaico novo, mais belo e verdadeiro do que o reflexo perfeito que antes evitava.  

“A sombra não é o fim da luz, mas o convite para descobrir quem realmente a projeta.”  

Portais Terapêuticos

Consciência que Cura!

Nenhum comentário:

Postar um comentário