"A Água Tá Me Levando de Novo!" — O Grito que Revelou um Trauma de Outra Vida
Desde o primeiro banho, aos 15 dias de vida, Clara entrava em pânico total. Não era choro comum de bebê. Era desespero puro: braços se debatendo, rosto vermelho, gritos agudos que gelavam a espinha da mãe. Piscina? Nem pensar. Chuva forte? Corria pra dentro chorando. Banho de mar? Impossível.
"Ela nasceu com medo de água", diziam as visitas. A mãe tentava tudo: brinquedos, músicas, água morna na banheira com espuma. Nada funcionava. Aos 2 anos, só aceitava banho rápido de chuveiro, de costas, sem molhar o rosto. Aos 3, pedia pra tomar banho vestida.
Aos 4 anos, numa tarde comum, veio a crise que mudou tudo.
Era banho de banheira — raro, mas a mãe insistiu pra comemorar o aniversário. Clara entrou na água pela primeira vez sem birra. Sentou. Até sorriu. Mas em 20 segundos, o rosto mudou. Olhos arregalados de terror. Começou a tremer inteira.
E gritou, com voz que não era de criança:
"A ÁGUA TÁ ME LEVANDO DE NOVO! ME TIRA DAQUI! EU TO MORRENDO!"
A mãe congelou. "De novo?!" Clara nunca tinha falado isso. Nunca tinha visto ninguém se afogar. A família morava em apartamento, sem praia por perto, sem história de afogamento na parentela.
O grito ecoou pela casa. A mãe tirou a filha da água aos prantos, enrolou em toalha, abraçou forte. Clara soluçava: "Eu tava nadando... era de dia... a água me puxou... eu gritei e ninguém veio."
Desesperada, a mãe procurou hipnoterapeuta especializada em crianças. "Talvez trauma de parto", pensou. Mas a sessão revelou algo muito maior.
Sob leve hipnose — técnica segura pra crianças, com visualizações guiadas —, Clara, de olhos fechados, reviveu a cena com detalhes impressionantes:
"Eu sou menina. Cabelo comprido. Rio azul. 6 anos. Tô brincando na beira com primos. Eles vão pra parte funda. Eu vou atrás. A correnteza pega minha perna. Eu caio. Engulo água. Grito 'mamãe!' mas ela tá longe, de costas, conversando. Bato os braços. Desço. Escuro. Frio. Não respiro mais."
A terapeuta perguntou: "O que acontece depois?"
Clara, voz calma agora: "Eu acordo tossindo água. Céu claro. Senhora de branco me abraça. 'Vem, filhinha, você tá bem.' Ela me leva pra luz. Eu olho pra trás... meu corpo tá na margem do rio. Primos chorando. Mamãe gritando."
A terapeuta confirmou depois com a mãe: nenhum parente próximo se afogou. Nenhum rio conhecido. Nenhum trauma assim na família.
Naquela sessão, Clara "fechou" o trauma. Conversou com a "menina do rio" dentro da hipnose, perdoou os primos, abraçou a mãe daquela vida, agradeceu a "senhora de branco". Despertou sorrindo, como se tivesse soltado um peso antigo.
No dia seguinte, pediu banho de banheira. Mergulhou o rosto. Riu.
Piscina? Aos 4 anos e meio, entrou pela primeira vez sem medo. Mergulhou. Brincou.
O medo sumiu como mágica.
Anos depois, com 7 anos, Clara ainda lembra vagamente: "Eu era grandinha numa vida antes. Morri na água. Mas aí a moça me salvou e disse que eu ia voltar pra aprender a não ter mais medo."
A mãe, hoje crente em reencarnação, entende o que a doutrina espírita explica há séculos: fobias inexplicáveis são ecos de vidas passadas. O espírito traz marcas no perispírito — memórias emocionais gravadas como alertas. Clara carregou o trauma do afogamento aos 6 anos, mas a terapia de regressão permitiu revisitar, compreender e curar a ferida espiritual.
Não era loucura. Não era imaginação. Era memória.
Hoje, Clara nada como peixe. Ama praia. Toma banho de banheira cantando.
Às vezes, o que assombra uma criança não é "do nada". É do "antes". E curar o passado liberta o presente.
Chico Xavier

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