18/02/2026

Roupas


A psicologia e a neurociência mostram que o cérebro atribui significados às roupas e responde a esses significados de forma automática. Não reagimos apenas ao conforto ou à estética, mas àquilo que determinada peça representa: autoridade, competência, sensualidade, rebeldia, cuidado, pertencimento.

Esse fenômeno é conhecido como cognição incorporada. Quando vestimos algo associado, por exemplo, à formalidade ou ao poder, ativamos redes neurais relacionadas à autoconfiança, postura e tomada de decisão. O corpo muda, a linguagem muda, a percepção de si muda. E os outros também reagem a esses sinais simbólicos, reforçando o ciclo.

A roupa funciona como uma extensão da identidade. Ela comunica antes mesmo da fala. E, mais profundamente, comunica para nós mesmos quem estamos sendo naquele momento. Um jaleco pode evocar responsabilidade. Uma roupa de treino pode ativar disposição e energia. Um pijama pode sinalizar relaxamento e segurança.

Do ponto de vista psicanalítico, a vestimenta também pode ser compreendida como uma segunda pele simbólica. Ela protege, revela, esconde, seduz, defende. É uma forma de negociar nossa imagem com o mundo e com nossos próprios ideais inconscientes.

Nada disso acontece de maneira totalmente consciente. O cérebro processa esses símbolos rapidamente, ativando circuitos emocionais e cognitivos que influenciam como pensamos, sentimos e agimos.

Vestir-se, portanto, é também um ato psicológico. É escolher, ainda que sem perceber, qual narrativa queremos habitar naquele dia.

O que você veste pode não definir quem você é.

Mas certamente influencia quem você se sente capaz de ser.

Texto por: Psicanalise Inconsciente

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