10/07/2026

Diálogo dos Deuses


Do alto do céu,

os Deuses observam o humano

como quem assiste a um jogo antigo

cujo resultado nunca é totalmente previsto.

Cronos é o primeiro a falar.

Com a voz do tempo que já viu tudo, diz:

— Se este solar permanecer mais um ciclo em sabedoria,

alcançará o fim do labirinto.

Apolo ri.

Abre a mão para Poseidon, com ironia luminosa:

— Você apostou de novo que ganharia.

Passe pra cá o seu raio de iluminação.

O salão vibra

como uma casa de apostas cósmica,

onde o destino é jogado em dados invisíveis.

Afrodite entra correndo,

afoita, elétrica, quase rindo de ansiedade:

— Guardem os dados.

O Pai está vindo.

O silêncio se organiza.

Antes que o Pai se sente,

Hades fala, com respeito e sombra:

— Pai, você gosta de brincar com a humanidade.

Nós conhecemos os caminhos.

E agora um solar ousa proclamar amor

a outro solar ancorado,

acreditando que pode ser comparado a Sirius?

Por que permitir tamanha ousadia

diante dos Deuses?

Persefone sorri, atravessando a conversa:

— Eles são tão fofos…

Daria um belo romance.

Afrodite cala.

Não por ausência,

mas por saber que certas respostas

não pedem palavras.

O Pai entra.

Olha tudo.

Sorri como quem já decidiu antes do início.

E diz apenas:

— Até que enfim encontrei

dois solares capazes de brilhar

mais distantes

e mais intensos

do que Sirius.

E parte,

deixando os Deuses

com o silêncio que só a verdade provoca.

Pensamento Quântico 

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