Do alto do céu,
os Deuses observam o humano
como quem assiste a um jogo antigo
cujo resultado nunca é totalmente previsto.
Cronos é o primeiro a falar.
Com a voz do tempo que já viu tudo, diz:
— Se este solar permanecer mais um ciclo em sabedoria,
alcançará o fim do labirinto.
Apolo ri.
Abre a mão para Poseidon, com ironia luminosa:
— Você apostou de novo que ganharia.
Passe pra cá o seu raio de iluminação.
O salão vibra
como uma casa de apostas cósmica,
onde o destino é jogado em dados invisíveis.
Afrodite entra correndo,
afoita, elétrica, quase rindo de ansiedade:
— Guardem os dados.
O Pai está vindo.
O silêncio se organiza.
Antes que o Pai se sente,
Hades fala, com respeito e sombra:
— Pai, você gosta de brincar com a humanidade.
Nós conhecemos os caminhos.
E agora um solar ousa proclamar amor
a outro solar ancorado,
acreditando que pode ser comparado a Sirius?
Por que permitir tamanha ousadia
diante dos Deuses?
Persefone sorri, atravessando a conversa:
— Eles são tão fofos…
Daria um belo romance.
Afrodite cala.
Não por ausência,
mas por saber que certas respostas
não pedem palavras.
O Pai entra.
Olha tudo.
Sorri como quem já decidiu antes do início.
E diz apenas:
— Até que enfim encontrei
dois solares capazes de brilhar
mais distantes
e mais intensos
do que Sirius.
E parte,
deixando os Deuses
com o silêncio que só a verdade provoca.
Pensamento Quântico

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