Eu explico-te...
Pões o teu cérebro à prova por pessoas que dormiriam tranquilamente a sono solto se tu desabasses amanhã.
Pensas que o amor, a amizade ou a lealdade se medem pela quantidade de ansiedade que és capaz de suportar por elas.
Mas estás no combate errado.
Preocupares-te ao ponto de perderes o sono, adivinhares o que pensam, antecipares as suas crises, corrigires os seus erros... é um sacrifício inútil.
Ouve-me...
Ninguém merece que destruas a tua saúde mental para manter o equilíbrio dessa pessoa.
A ligação não deve ser um contrato de submissão.
Tens o direito de amar, de estar presente, de apoiar.
Mas, a partir do momento em que a pessoa se torna uma fonte de angústia, o jogo está viciado.
Não és o salvador de ninguém e não vieste ao mundo para carregar a mochila emocional dos outros, mesmo que tenham o teu sangue ou partilhem a tua cama.
Quando te meces num stress por alguém ao ponto de perderes a tua própria paz, não estás a ajudá-lo:
estás a destruir-te.
Podes dar o melhor conselho do mundo, oferecer todo o teu tempo, dedicar toda a benevolência possível.
Se a pessoa do outro lado decidir ir ao fundo, vai ao fundo.
Não podes nadar por alguém que recusa mexer os braços.
Para de querer controlar o incontrolável:
a vida deles, as escolhas deles, as consequências deles.
No dia em que perceberes que a única responsabilidade absoluta que tens é com a tua própria serenidade, tudo muda.
Desapega-te do resultado.
Ama sem te acorrentares.
Sê presente sem te dissolveres.
Se uma relação exige que vivas com um nó no estômago e com os nervos em franja, já não é uma relação:
é uma prisão.
Recupera as tuas chaves, respira fundo e deixa que cada um siga o seu próprio caminho.
Antônio Machado

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