Mesmo ser, diferentes corpos; a única coisa que é mútua entre nós são os sentimento, sejam eles bons ou ruins.
O conteúdo da experiência muda de pessoa para pessoa, mas a capacidade de sentir é compartilhada.
muitos modos, uma substância.
Há vontade manifestada em múltiplos indivíduos.
O ser é compartilhado, embora vivido singularmente com base em experiências de cada indivíduo.
Sociedades se estruturam por sentimentos compartilhados:
Medo coletivo pode gerar autoritarismo
Indignação coletiva pode gerar mudança
Compaixão coletiva pode gerar solidariedade
Ressentimento coletivo pode gerar conflito
Ou seja:
Sentimentos não são só privados.
Eles organizam a civilização.
Nação é afeto.
Identidade é afeto.
Ideologia é afeto.
Ódio de massas é afeto.
Solidariedade também.
O afeto é a cicatriz luminosa deixada pela unidade quando se fragmenta.
O universo assim produz perspectivas.
Sentir amor incondicional então é a memória que a unidade deixou dentro da separação.
Sentimentos então seriam oscilações de uma mesma consciência moldada a partir das experiências vividas.
Onde há consciência, há afeto; onde há afeto, há um vínculo oculto e incondicional.
Somos separados, mas condenados a coexistir, o sentimento revela se vai haver isolamento ou conexão entre as diferenças.
Todos somos experiências de uma mesma substância, e os afetos são variações dessa unidade.
Onde o pensamento divide, o sentir tenta unir.
O sentimento é comum na estrutura, mas moldado no conteúdo das experiências.
E talvez sejamos isso:
consciência tentando tocar a si mesma
de dentro de corpos que insistem em parecer distantes.
Talvez o universo não fale, mas sinta através da gente, o sentimento não nos torna iguais, mas impede que sejamos completamente estranhos.
J.H. Lich

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