Conta uma antiga lenda que, no princípio dos tempos, o Sol e a Lua se apaixonaram. Amaram-se com esse amor que não se explica, apenas acontece, como se já viesse escrito no coração do universo. Mas o destino colocou-os em lados diferentes do céu: ao Sol entregou o dia, à Lua confiou a noite. E desde então vivem assim… quando um chega, o outro parte.
Dizem que o Sol, antes de desaparecer, deixa no horizonte um rasto de ouro e fogo para que a Lua saiba que ele esteve ali. E a Lua, quando a noite chega, acende-se inteira para que, mesmo do outro lado do mundo, ele nunca se esqueça dela. Talvez seja por isso que os fins de tarde sejam tão bonitos: são cartas de amor que o Sol deixa à Lua antes de partir.
Mas o universo teve pena daquele amor condenado à distância e ofereceu-lhes um instante raro para se encontrarem. Chamou-lhe eclipse. E, nesses breves momentos, o Sol e a Lua aproximam-se, o céu muda de cor, a luz prende a respiração e parece que o mundo inteiro fica em silêncio para não perturbar o abraço que esperou tanto tempo para acontecer.
Talvez esta lenda nunca tenha falado verdadeiramente do Sol e da Lua. Talvez fale de nós. Das pessoas que se amam e nem sempre podem ficar, dos abraços adiados, dos caminhos que a vida separou sem conseguir separar os corações. Porque existem amores que não precisam de acordar juntos todas as manhãs para continuarem vivos. Há amores que passam uma vida inteira separados e, ainda assim, nunca deixam de iluminar o mesmo céu.
Carlos Cabrita_escritor ✍️
O Sentido das Palavras Carlos Cabrita

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