Tem gente que foi tão machucada no passado que, sem perceber, começa a ferir justamente quem chegou para amá-la.
Desconfia de todo carinho, transforma pequenas discordâncias em grandes brigas e castiga pessoas inocentes por erros que outras cometeram.
Muitas vezes, nem percebe que está reproduzindo a dor que tanto jurou nunca mais sentir.
Uma mulher abandonada pode começar a enxergar rejeição em qualquer silêncio.
Um homem traído pode desconfiar até de quem nunca lhe deu motivos.
Um filho humilhado pode crescer e repetir com os próprios filhos as palavras cruéis que ouviu na infância.
É assim que feridas não cuidadas podem atravessar gerações, destruindo relações que poderiam ter sido bonitas.
Mas existe uma verdade difícil de aceitar: o sofrimento que você viveu explica algumas das suas reações,
mas não justifica machucar quem não teve culpa.
Na caminhada espiritual, evoluir também significa interromper os ciclos de dor que carregamos.
É reconhecer nossas feridas, procurar ajuda quando necessário e escolher não devolver ao mundo a crueldade que recebemos.
Você não precisa fingir que nada aconteceu, nem perdoar antes de estar preparado. Mas merece encontrar um caminho de cura que não transforme seu coração numa prisão.
Porque quem chega para oferecer amor não deveria pagar pelas maldades de quem foi embora.
E talvez uma das maiores vitórias da alma seja esta: ter todos os motivos para repetir a dor, mas encontrar coragem para fazer com que ela termine em você.
Chico - Cartas de Paz e Consolação

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