08/09/2026

O medo nos bloqueia de viver...

"Todas as pessoas do mundo tem algum tipo de medo. Alguns tem mais, outros tem menos. O medo nos bloqueia de viver, de certa forma. O medo nos deixa limitados. Basta pensar comigo. Se você tem medo de ser assaltado, você sai menos de casa. Se você tem medo de dirigir, evita sair de casa dirigindo. Se você tem medo de ficar sozinho, corre o risco de obter más companhias. Se você tem medo de ficar nervoso com alguma coisa, corre o sério risco de realmente ficar. Se você tem medo de avião, não só evitará, como talvez fará uma viagem muito mais longa e cansativa de ônibus.

Estamos livres de ter medo? Não, claro que não. Ele pode aparecer com traumas, com decepções, com angústias. Mas quando percebemos este sinal de fragilidade, temos que lutar para vencer e viver o mais livre possível desses medos. Por que não vencer esses medos? O medo de falar em público só se perde falando em público. O medo de dirigir só se perde dirigindo. O medo de ficar sozinho só se perde ficando sozinho.

Mas realmente vencer o medo não é tão simples, eu concordo. Realmente, enfrentar o medo, lidando com uma nova situação, pode nos trazer surpresas, algumas dúvidas, mas elas são passageiras e não nos trazem tristeza, elas passam rapidamente, quanto mais o medo vai embora, mas elas passam.

Todo soldado vai para sua primeira batalha com muito medo. Medo de não voltar para casa nunca mais, medo de matar pessoas, medo de errar. Mas esse medo vai embora com as batalhas e ele se fortalece com as adversidades que vê, que ouve, que sente, e passa a não ter mais medo. Os que menos tem medo são os que mais vencem. Arriscar é preciso.

Outro exemplo interessante são as crianças. Quando são novinhas, elas não tem medo de nada, mas vão adquirindo com a vida, com o meio, com os seus pais. Elas quando aprendem a andar, não querem parar, querem sempre mais, cada vez mais rápido. Mas basta caírem e se machucarem, que começam a andar com mais cuidado, sem muita pressa. Portanto, elas não tinham medo de andar, mas ao andar, viram que é possível cair. Elas perdem o medo de andar totalmente, claro, porque enfrentaram e sabem tudo o que pode acontecer, mas de tanto andar, aprenderam como lidar muito bem com isso e reconhecem que é preciso cuidado. Só descobriram isso, porque andaram. Então, por que não enfrentamos o medo, conhecemos a situação que tememos e aprendemos com isso?

Ter medo de sofrer nos faz sofrer, pois vivemos em função de situações sempre conhecidas, cômodas, comuns, convenientes, repetitivas. Jamais arriscamos, porque temos medo. Será que não cansa? A vida vai passar e ficaremos velhos, arrependidos por não termos vivido mais, arriscado mais, sofrido menos. Não ter medo é um sinal de otimismo, pois significa acreditar que aquilo que é novo pode dar certo e trazer felicidade. Ter medo é pessimismo.

Ter muito medo é um sinal forte de fragilidade. Um sinal de que não vamos arriscar passos mais rápidos e longos, com medo de tropeçar mesmo num terreno sem imperfeições. Acabamos dando passos muito curtos e lentos, com todo cuidado. Quais as conseqüências disso? Se você dá passos muito lentos e curtos, você perde tempo, você perde oportunidades. Oportunidades? Sim, você vai tão lento, de tanto medo que tem, que quando chega ao destino, é tarde demais. Com passos lentos e curtos, os outros vão reconhecer que estamos fragilizados, que achamos que vamos cair em buracos que nem existem, que vamos tropeçar em pedras que nem existem. Perdemos com a opinião dos outros também, ninguém quer enfrentar novas situações com pessoas que não querem o mesmo. “Ele é medroso, não vai conseguir”.

Ter medo de morrer é algo natural, até importante. O medo da morte nos faz cuidar da saúde, nos faz praticar mais exercícios físicos, nos faz não dirigir em alta velocidade levando risco às pessoas, nos faz evitar certos vícios. O que não devemos é ter medo de viver."


(julho 16, 2009, por fcsjunior)

Fonte: Erros e Defeitos 

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