Milhares de estrelas
bordam de luz a pele da noite,
como lágrimas de prata
que o infinito derrama
devagar sobre os nossos olhos.
Há qualquer coisa de eterno
neste silêncio azul
onde a lua se demora,
como se também ela
tivesse um coração
e medo de partir.
Ficamos ali,
entre o rumor distante do mundo
e a respiração das estrelas,
com as mãos tão próximas
que o amor começa
antes mesmo
de nos tocarmos.
O vento despe a noite devagar
e deixa nos teus cabelos
um perfume de infinito.
Olho-te
e há constelações inteiras
a nascer dentro dos teus olhos,
pequenos céus
onde eu poderia perder-me
sem alguma vez querer regressar.
Não digas nada.
Há sentimentos que, ditos,
perdem um pouco da sua luz.
Há silêncios que sabem amar
melhor do que todas as palavras.
Deixa apenas
o teu coração encostar-se ao meu
e escuta.
Talvez esse bater tão perto
seja a língua mais antiga do amor,
aquela que duas almas reconhecem
quando finalmente se encontram
depois de uma eternidade
à procura uma da outra.
Depois,
se uma estrela atravessar o céu,
não peças um desejo.
Fecha os olhos
e chega mais perto.
Tão perto
que a noite já não saiba
onde termina o teu corpo
e começa o meu sonho.
Porque esta noite
o infinito não está lá em cima.
Está aqui.
Neste quase beijo.
Neste silêncio aceso.
Neste lugar sem nome
onde o teu coração encontra o meu
e o tempo, por um instante,
se esquece de passar.
E se todas as estrelas
se apagassem agora,
uma a uma,
até o céu ficar sem luz,
eu não teria medo da noite.
Bastava olhar-te.
Porque há pessoas
que não chegam à nossa vida
para viver debaixo das estrelas.
Chegam
para se tornarem
o céu inteiro.
Carlos Cabrita_escritor ✍️

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