15/09/2026

Estrelas


Milhares de estrelas

bordam de luz a pele da noite,

como lágrimas de prata

que o infinito derrama

devagar sobre os nossos olhos.

Há qualquer coisa de eterno

neste silêncio azul

onde a lua se demora,

como se também ela

tivesse um coração

e medo de partir.

Ficamos ali,

entre o rumor distante do mundo

e a respiração das estrelas,

com as mãos tão próximas

que o amor começa

antes mesmo

de nos tocarmos.

O vento despe a noite devagar

e deixa nos teus cabelos

um perfume de infinito.

Olho-te

e há constelações inteiras

a nascer dentro dos teus olhos,

pequenos céus

onde eu poderia perder-me

sem alguma vez querer regressar.

Não digas nada.

Há sentimentos que, ditos,

perdem um pouco da sua luz.

Há silêncios que sabem amar

melhor do que todas as palavras.

Deixa apenas

o teu coração encostar-se ao meu

e escuta.

Talvez esse bater tão perto

seja a língua mais antiga do amor,

aquela que duas almas reconhecem

quando finalmente se encontram

depois de uma eternidade

à procura uma da outra.

Depois,

se uma estrela atravessar o céu,

não peças um desejo.

Fecha os olhos

e chega mais perto.

Tão perto

que a noite já não saiba

onde termina o teu corpo

e começa o meu sonho.

Porque esta noite

o infinito não está lá em cima.

Está aqui.

Neste quase beijo.

Neste silêncio aceso.

Neste lugar sem nome

onde o teu coração encontra o meu

e o tempo, por um instante,

se esquece de passar.

E se todas as estrelas

se apagassem agora,

uma a uma,

até o céu ficar sem luz,

eu não teria medo da noite.

Bastava olhar-te.

Porque há pessoas

que não chegam à nossa vida

para viver debaixo das estrelas.

Chegam

para se tornarem

o céu inteiro.

Carlos Cabrita_escritor ✍️

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