03/01/2026

A VIAGEM É CURTA

 


A VIAGEM É CURTA

"A viagem é curta. 

"A viagem é curta. Não se distraia. Não perca tempo.

Não carregue bagagens desnecessárias.

Aprenda a viver com pouco. A ser auto suficiente.

Seja uma boa companhia para você. Só então, escolha alguém para viajar contigo.

Tenha um destino, mas permita-se se perder de vez em quando. Mude de rota sempre que se sentir desconfortável. 

Não tenha medo dos imprevistos. Confie em seus instintos. Aprecie as surpresas do caminho. Sinta novos aromas e sabores. Ouça novas músicas. Dance.

Acorde cedo para ver o sol nascer. Silencie durante o por do sol. Estes são os momentos em que a natureza medita. Há muita energia positiva circulante. Transmute.

Mantenha o olhar curioso de uma criança. Acredite que, a cada esquina, o mundo pode te surpreender. Observe. Escute mais do que fale. 

Converse com estranhos. Com todos que puder. Não tem problema se não dominar o idioma. Deixe o coração falar. Olhe bem nos olhos deles. Veja a diversidade mas, principalmente, a humanidade. Permita que eles te vejam. Sorria. 

Aproveite também a viagem para olhar para dentro; para se conhecer. Abra espaços pro descanso. Crie locais de afrouxamento para os teus apertos. Deixe fluir as emoções. Inspira. Respira. Solta. Deixa ir.

Lembre-se sempre: você está aqui só de passagem. Portanto, capriche nos instantes. Eles, sim, podem ser eternos."

Autoria: Rita Bragatto  

Mitologia pessoal – Ser-se Fazedor de Mitos


“Quando conectamos com a nossa alma, conectamos com a alma de todos os seres humanos. Ressoamos com todas as coisas vivas.” Marion Woodman

Quando se fala em mitologia pessoal, é praticamente inevitável imaginar um trabalho individual acerca de quem somos, das nossas estórias e dos processos de superação pessoal. Mas será só isso?

Trabalhar com mitologia pessoal criativa leva-nos a uma viagem de enamoramento com o nosso percurso pessoal, as nossas estórias e narrativas (fixas, atualizadas e “imaginadas”), com descobertas extraordinárias acerca dos mitos, dos contos de fadas e das pistas simbólicas para uma vida épica.

O processo de individuação, a jornada do herói, a jornada da heroína, trazem-nos tomadas de consciência sobre os passos que damos neste processo psíquico de Separação – Iniciação – Retorno.

Podemos definir mitologia pessoal como uma constelação de crenças, sentimentos, imagens e regras que interpretam sensações, constroem explicações e direcionam comportamentos. São eles que respondem à busca filosófica humana: quem sou, de onde venho, para onde vou, o que significa isto….

O mito pessoal é a estória que estamos a viver e a forma como transformamos a matéria das nossas experiências numa estória coerente. Se a mesma é contada por uma vítima, um guerreiro ou alguém desconfiado, o guião torna-se ligeiramente diferente, ainda que os factos sejam os mesmos. Somos “fazedores de mitos” e vivemos pelos nossos mitos pessoais, quer tenhamos ou não consciência deles.  

James Hillman denomina Mythmaking ao processo de ganharmos consciência dos nossos elementos intemporais da nossa estória e dos padrões sagrados que seguem. Encontrar o universal no único e o sagrado no pessoal. Sharon Blackie, terapeuta junguiana e grande investigadora de mitologia pessoal coloca-nos uma questão: Seremos nós a criar ativamente os nossos mitos pessoais ou apenas revelamos os mitos “escondidos” pelos quais vivemos?  

Henri Corbin traz-nos a mística sufi, com o “Mundus Imaginalis”, o mundo intermédio entre o físico e o transcendente. Um mundo ocupado pelo Alma, na qual surgiam as matrizes de tudo o que existe, os desejos, os sentimentos, as estórias, os padrões energéticos, captados pela criatividade humana. Aqui habitam os grandes temas arquetípicos.  

Atualização de Mitos

A identificação dos mitos – ou partes deste – pelos quais vivemos e nos quais enraizamos um sentido de identidade e propósito, mostra-nos também os seus pontos de conflito, o que já não funciona e a sua necessidade de atualização.

Hillman apela-nos, porém, a uma pergunta profundamente pertinente nos tempos de hoje. Estaremos nós a mergulhar num processo de individuação ou de alienação? O que acontece quando nos esquecemos de que o mundo, os lugares, as pessoas e as estórias não nos pertencem, mas somos nós que pertencemos a eles?

Antigamente, o processo de mythmaking era algo cultural e universal, conectando pessoas e comunidades através das regras e da força da própria natureza. As estações contavam as estórias do mundo e através delas, a mitologia acontecia. Assim como as vivências arquetípicas, o ato de dar à luz – haverá algo mais pessoal e simbolicamente universal do que isso? – ou os rituais de iniciação e reconhecimento.

Talvez tenha sido necessário um momento de Separação e de Iniciação, tão bem explicado no monomito de Joseph Campbell, para descobrirmos quem somos. Porém, corremos o risco de nos esquecer da terceira etapa, a tão importante etapa de Retorno, o regresso a casa e à comunidade.

A maior parte de nós está entrelaçado em mitos pessoais que já não estão sintonizados com as necessidades do mundo, da nossa própria alma e da sensação de pertença. 

Uma mitologia que não é capaz de servir de ponte para maiores significados e inspirações geralmente é acompanhada de mal-estar, desconexão, isolamento, desadaptação ou ansiedade. 

Não podemos separar-nos a nós mesmos do destino do planeta. Não podemos separar a nossa estória da estória do mundo.

Continuamos a ser “fazedores de mitos”, mas os mitos viáveis já não podem ser baseados primariamente nas tradições desatualizadas ou nas doutrinas de um grupo. 

A mitologia criativa serve, mais do que nunca, para colocar ao serviço todos os pedaços de alma que fomos resgatando pelo caminho. Quem somos? Quem queremos ser? Que escolhas conscientes colocamos nos nossos dias, nas nossas casas, na forma como cuidamos do chão que pisamos, da água que utilizamos ou do sorriso que partilhamos com os outros? Somos, definitivamente, os fazedores de mitos na criação daquilo que acontece aos lugares a que pertencemos.

Artigo publicado na Revista Vento e Água, número 22

https://escolatranspessoal.com

DISCERNIMENTO TAMBÉM É ESPIRITUALIDADE


Nem tudo o que parece espiritual realmente é. E aprender a discernir também faz parte do despertar.

Muitas mensagens chamadas de “leituras” começam falando de medo, confusão, decisões difíceis, conflitos familiares ou alguém que já partiu. Isso não acontece por intuição profunda — acontece porque essas experiências fazem parte da vida da maioria das pessoas.

Quando a mensagem é vaga, aberta e emocional, a mente completa os espaços sozinha. É assim que a identificação acontece.

Outro sinal de alerta é quando a pessoa pergunta: “Isso é verdade?” Nesse momento, você começa a entregar informações que depois serão devolvidas como se fossem revelações.

Espiritualidade verdadeira não pressiona, não cria urgência e não te coloca em posição de fragilidade ou dependência.

Uma orientação consciente é clara, ética e respeita o seu tempo. Ela não pede validação emocional, não promete certezas absolutas e não retira de você o poder de decidir.

Discernimento não fecha o coração. Ele protege a energia.

Intuição não invade, não manipula, não confunde. Ela esclarece, fortalece e devolve você a si mesma.

E como ensinava Hermes Trismegisto: “O verdadeiro conhecimento não confunde, esclarece; não aprisiona, liberta. Aquele que aprende a discernir a verdade da ilusão jamais será conduzido pela sombra.”

Fernanda Luzia

02/01/2026

Controle do Ego


Sob a perspectiva do ego, o controle pode se manifestar de muitas formas. O ego é a parte da psique que se identifica com o “eu” individual, buscando proteger a própria imagem e manter uma sensação de poder e domínio sobre o ambiente e sobre os outros. A partir desse lugar, o controle costuma surgir como uma tentativa de garantir segurança, reconhecimento ou validação.

Quando o controle nasce do ego, ele geralmente está ligado à necessidade de comandar situações e pessoas para satisfazer desejos internos não resolvidos. Pode se expressar por meio de atitudes dominadoras, manipuladoras ou autoritárias, nas quais a vontade pessoal se impõe sem consideração pelos sentimentos, necessidades ou perspectivas alheias. Na raiz desse comportamento, quase sempre estão o medo, a insegurança e a busca por valor próprio através da superioridade.

Esse tipo de controle tende a gerar relações desequilibradas, conflitos constantes e sofrimento emocional, tanto para quem tenta controlar quanto para quem é controlado. Além disso, cria um afastamento do verdadeiro ser, bloqueando o crescimento pessoal e o desenvolvimento espiritual.

Para equilibrar o controle exercido pelo ego, é essencial cultivar consciência, empatia e compaixão, primeiro consigo mesmo e depois com o outro. A humildade, a aceitação e a abertura para diferentes pontos de vista ajudam a dissolver a necessidade de controlar e permitem relações mais autênticas, leves e saudáveis.

Quando o ego deixa de comandar, algo se transforma.

Ao liberar o controle, acessamos o verdadeiro controle.

Do ponto de vista psicológico, o controle saudável está relacionado à capacidade de autorregulação. Trata-se de conduzir pensamentos, emoções e comportamentos de acordo com valores, objetivos e circunstâncias reais da vida. Esse tipo de controle gera a sensação de estar presente e responsável pela própria jornada, sem a necessidade de dominar o mundo externo.



Energias Masculina


A energia masculina é a força do movimento, da ação consciente e da direção. Ela está associada ao fazer, ao agir no mundo, à capacidade de decidir, proteger e sustentar. Não se refere ao gênero, mas a um princípio energético presente em todas as pessoas.

É a energia que estabelece limites saudáveis, organiza o caos, transforma ideias em realidade e conduz com propósito. Quando equilibrada, manifesta-se como coragem, foco, responsabilidade, presença e firmeza interior. É o impulso que permite sair do pensamento e entrar na ação, sem agressividade, mas com clareza.

No campo psíquico, a energia masculina oferece estrutura ao inconsciente, ajudando a conter impulsos, dar forma aos desejos e sustentar escolhas. Ela atua como um eixo interno que sustenta a identidade, permitindo dizer “sim” com convicção e “não” sem culpa.

Quando em desequilíbrio, pode se expressar como rigidez, controle excessivo, autoritarismo ou, no extremo oposto, como ausência de direção e dificuldade de assumir responsabilidades. Por isso, sua verdadeira potência está no equilíbrio com a energia feminina, que traz sensibilidade, intuição e acolhimento.

A energia masculina saudável não domina, sustenta. Não impõe, orienta. Não reprime emoções, protege o espaço para que elas existam com segurança.

Ela é o pilar que permite caminhar com propósito, integridade e presença no mundo.

Equilibrar essa energia é aprender a agir com consciência, força com gentileza e poder com amor.

Texto por: Psicanalise Inconsciente

VASO


Se o vaso é pequeno, a planta não cresce.

E isso não é metáfora suave, é um aviso direto.

Há lugares que parecem abrigo, mas são jaulas bem decoradas. Ambientes que dizem “fica”, enquanto silenciosamente te diminuem. Pessoas que chamam de cuidado aquilo que, na prática, é controle. Ali, nada floresce por inteiro. Só sobrevive. Totalmente.

Não é falta de talento.

Não é ausência de fé.

Não é que você “não deu certo”.

É o vaso.

Raízes comprimidas aprendem a pedir desculpa por existir. Folhas encolhidas passam a achar normal não alcançar a luz. Com o tempo, a planta começa a acreditar que aquele é seu tamanho real. E esse é o dano mais profundo: quando você confunde limite imposto com identidade.

Ambientes que te podam chamam isso de proteção.

Ambientes que te drenam chamam isso de amor.

Ambientes pequenos sempre vão dizer que o problema é você crescer demais.

Mas a verdade é simples e desconfortável:

o que não suporta a sua expansão nunca foi casa.

Trocar de vaso dói. Arranca raízes, bagunça a terra, exige coragem para ficar exposto por um tempo. Mas continuar onde não há espaço custa a vida inteira.

Plantas não pedem permissão para crescer.

Elas apenas crescem quando o espaço permite.

E se hoje dói tanto… talvez não seja fraqueza.

Talvez seja a sua natureza tentando romper o limite errado.

No amor


Algumas pessoas nos amam como sabem,

com os limites do que aprenderam,

com o alcance do que conseguem tocar.

Outras não permanecem,

mas ao passar, abrem janelas.

Não nos oferecem apenas afeto —

revelam o território inteiro do amar.

São encontros que não pedem posse,

mas expansão.

Não dizem “fique”,

dizem silenciosamente: é possível ir além.

Porque há amores que aquecem o coração,

e há amores que ensinam

o que o coração ainda pode se tornar.

E ambos são necessários.

P.Q

PENSANDO


Pense nisso!!!“O que você decidir tolerar mais de uma vez, inevitavelmente se tornará um padrão repetido. Ao não estabelecer limites claros, você ensina aos outros e a si mesmo que certos comportamentos ou situações são aceitáveis, mesmo que eles o deixem desconfortável ou prejudiquem.

Toda vez que você permite algo que vai contra seus princípios ou bem-estar, você abre a porta para que isso aconteça novamente.

Estabelecer limites não é apenas sobre ser firme, é sobre AUTO-RESPEITO.”

Johnny Depp

Energia Feminina


A energia feminina não tem a ver com fragilidade, nem com excesso de força.

Ela nasce da capacidade de sentir, perceber, gestar e transformar.

É a energia que escuta o corpo, respeita os ciclos, entende o tempo das emoções e reconhece que nem tudo precisa ser resolvido na pressa.

Em um mundo que valoriza apenas o fazer, a energia feminina lembra o valor do ser.

Do acolher sem se anular.

Do amar sem se perder.

Honrar a energia feminina é permitir-se sentir sem culpa, colocar limites sem medo e confiar na própria intuição como uma forma legítima de sabedoria. 

Texto por: Psicanalise Inconsciente

01/01/2026

A sociedade da arrogância, não do conhecimento


Estamos cercados de alguns mitos complicados devido à nossa eterna arrogância de animais mais complexos do planeta que querem a cada geração ser especial entre outras e achar que agora há algo muito diferente no ar.

Sempre há algo especial, mas nunca de um jeito completamente novo, que já não tenha ocorrido em diversos outros momentos na história dos humanos no planeta.

Assim, me parece que:

Não somos a sociedade do conhecimento - Somos mais uma, menos equilibrada que muitas outras anteriores, que já foram mais pacifistas, ecológicas, integradas e humanas.

Não somos a sociedade de informação - A quantidade deve ser sempre feita em proporção ao número da população do planeta. Nunca fomos tantos (quase 7 bilhões) e é natural que cada vez tenhamos mais e mais dados para transformar em informação, conhecimento.

Portanto, somos mais uma geração nessa eterna produção contínua e cada vez maior de conhecimento. (Lembro que quando surgiu o livro, os iluministas também se consideravam na sociedade do conhecimento.) Talvez seja melhor gravar um CD e de tempos em tempos, colocar para tocar a cada geração, uma espécie de hino à falta de humildade:

Somos nós a sociedade do conhecimento e da informação!

Não estamos evoluindo - Tecnologias e tudo que está em torno não significa evolução. São respostas às demandas básicas ou supérfluas da nossa sociedade. Evoluir me parece que se trata de ganhar mais equilíbrio com o meio, com os outros, com nós mesmos e nesse quesito, me parece, que estamos levando nota baixa.

Note que país mais rico (materialmente) do planeta é o mais pobre em exemplos de humanidade (ou você é perdedor ou vencedor) para com eles e para com os outros. Será este o exemplo a ser seguido?

O planeta está morrendo?

Não, não está. O planeta já passou por crises muito piores, quando recebeu um meteoro enorme pela proa, na qual morreram todos os dinossauros e só sobraram aqueles dos filmes do Spielberg. Quem está ameaçada é a espécie humana, que, se desaparecer, a Terra saberá trazer de volta novos animais e espécies menos agressivas que a nossa.

Por fim, ninguém é dono da verdade

Não existe realidade, mas apenas aproximações desta, a partir, sempre, de comparações do que vemos agora com muitas fontes, do que ocorreu no passado, de como se desdobrou lá e como pode ser que ocorra aqui. Qualquer outra tentativa é procurar um submarino único em jogo de batalha naval.

Ou seja, me parece, que muito mais do que sociedade do conhecimento, ou sociedade da informação, vivemos em mais uma sociedade da arrogância, uma característica, aliás, da verdadeira falta de informação e de conhecimento do que realmente somos.

E contra ela, me desculpem, não há tecnologia que dê jeito! É uma questão de resgatar a gestão da sabedoria, algo cada vez mais fundamental, mas, infelizmente, ainda não valorizada no dito mercado. Concordas?

* Carlos Nepomuceno é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus)


Sabedoria Ranática


Diz a tradição não escrita

que todo ser humano nasce dividido

entre o que pensa,

o que sente

e o que vive.

A Sabedoria Ranática não nega nenhuma dessas forças.

Ela as organiza.

- Pensar fundo

é descer às raízes invisíveis do mundo,

onde as ideias não são slogans,

mas estruturas silenciosas.

É encarar o abismo sem pressa,

sabendo que nem tudo pede resposta,

mas tudo pede honestidade.

- Sentir muito

é permitir que a vida atravesse o corpo

sem censura e sem idolatria.

É amar, sofrer, vibrar e estremecer

sem transformar a emoção em lei

nem a dor em identidade.

Sentir é lembrar que não somos máquinas,

mas também não somos o próprio sentimento.

- E então vem o terceiro pilar —

o mais raro, o mais esquecido,

o mais humano:

Nunca perder o pé no chão

nem o senso de ridículo.

Porque quem pensa demais sem rir, endurece.

Quem sente demais sem chão, se dissolve.

E quem se leva sério demais

vira prisioneiro da própria imagem.

O riso aqui não é deboche,

é lucidez.

É o gesto sagrado de lembrar

que nenhuma ideia é maior que a vida,

nenhum símbolo é maior que o ser,

e nenhuma verdade suporta existir

sem um pouco de leveza.

✡️ A Trindade Ranática não promete iluminação,

promete coerência.

Não cria mestres,

cria humanos inteiros.

1 - Pensar fundo para não ser raso.

2 - Sentir muito para não ser vazio.

3 - Rir de si mesmo para nunca se tornar tirano da própria consciência.

Assim caminha Ranatus —

não como um deus,

não como um dogma,

mas como um eixo silencioso

entre o céu que inspira

e o chão que sustenta.

E enquanto houver pensamento, sentimento

e um bom senso de humor,

a chama permanece acesa —

sem que ninguém precise morar num barril.

Pensamento Quântico 

Reflexão do dia


É ISSO AÍ, VAMOS DANDO SEMPRE O NOSSO MELHOR. PROCURANDO O MÁXIMO POSSÍVEL NOS LAPIDAR PARA A NOSSA EVOLUÇÃO E CONSEQUENTEMENTE, SERMOS MELHOR DO QUE FOMOS ONTEM.

Grande Fraternidade Branca

Bruxa de Évora


A Bruxa de Évora é uma figura envolta em mistério, medo e sabedoria popular, nascida mais da tradição oral do que de registros históricos precisos.

Vou lhe falar com calma, caminhante.

Em Évora, terra antiga de pedras, conventos e silêncio, dizia-se que havia uma mulher conhecedora dos segredos da natureza, das ervas, das luas e dos espíritos. Para o povo simples, ela curava; para os poderosos e moralistas, ela ameaçava. Assim nasce toda “bruxa”.

🔮 Quem era a Bruxa de Évora?

Não uma só mulher, mas o retrato de muitas:

Parteira que sabia aliviar dores

Curandeira que conhecia raízes e rezas

Mulher livre demais para seu tempo

Alguém que falava com o invisível quando a Igreja exigia silêncio

Na Idade Média e além, em Portugal, conhecimento fora do controle era chamado de feitiçaria. O que hoje chamariam de fitoterapia, espiritualidade ou psicologia popular, ontem chamavam de pacto com o demônio.

🔥 A perseguição

Évora foi sede da Inquisição. Muitas mulheres foram acusadas, humilhadas, presas e mortas. Algumas eram inocentes; outras apenas diferentes. A “Bruxa de Évora” simboliza essas mulheres que pagaram com a vida por saber demais ou se curvar de menos.

🌙 O símbolo espiritual

Na leitura espiritual, a Bruxa de Évora representa:

O saber ancestral reprimido

O poder feminino demonizado

A espiritualidade que não cabe em dogmas

A ligação direta entre o humano e a natureza

Ela não é maligna por essência. O mal foi o medo de quem não compreendia.

🕯️ Lição ao caminhante

Nem todo sábio será reconhecido.

Nem todo curador será aceito.

E muitas vezes, quem aponta o dedo de acusação é quem mais teme a própria sombra.

A Bruxa de Évora ensina:

Conhecimento sem humildade vira opressão; fé sem amor vira fogueira🌙🍀

Vou lhe falar, caminhante, no conhecimento do Velho Cigano, aquele que já viu fogueira virar cinza e mentira virar verdade com o tempo.

Sabe, caminhante…

Chamaram de bruxa aquela mulher de Évora

porque ela escutava o vento,

porque ela falava com a lua,

porque ela curava sem pedir permissão.

Não foi o feitiço que assustou, não.

Foi o saber livre.

Foi a mulher que não se ajoelhava

onde o medo mandava ajoelhar.

O povo simples batia à porta dela na madrugada,

mas de dia fingia não conhecê-la.

Assim é o mundo:

usa o remédio,

mas teme a mão que cura.

O Velho Cigano te diz, caminhante:

quem anda com a natureza aprende a andar sozinho.

E quem anda sozinho vira ameaça

para quem só sabe seguir fila.

A fogueira que acendeu em Évora

não queimou só corpos, não…

Queimou verdades,

queimou saberes,

queimou o direito de ser diferente.

Mas escuta bem:

o fogo não destrói o espírito.

O espírito vira brisa,

vira sussurro,

vira memória que atravessa séculos.

Por isso, caminhante,

não chame de bruxa quem carrega luz que você não entende.

Não chame de mal quem apenas não cabe no seu altar.

A estrada é longa

e quem aponta demais para o outro

tropeça na própria sombra.

Segue com respeito,

com silêncio quando for preciso,

e com coragem quando o mundo quiser te apagar.

O Velho Cigano já viu isso antes…

e sempre verá.

🕯️✨

Valentim Cigano