26/08/2026

Você já reparou como o tratamento muda dependendo de onde vem a religião?


Se alguém diz que pratica meditação budista, acende incensos para divindades hindus ou segue os preceitos do taoismo, isso costuma ser visto como algo "zen", intelectualizado ou até "chique". Existe um respeito quase imediato por essas tradições orientais. Agora, por que quando o ritual envolve um tambor, uma guia no pescoço ou o sagrado de matriz africana, o olhar de muitos muda para o julgamento, o medo ou a agressão direta?

Essa diferença de peso tem nome: É o racismo estrutural operando sob a máscara da religiosidade. O racismo religioso não ataca apenas o dogma, ele ataca o corpo, a história e a ancestralidade negra. Enquanto as religiões orientais foram, de certa forma, "elitizadas" no imaginário ocidental, as religiões de matriz africana continuam sendo alvo de um processo de demonização que vem desde o período da escravidão.

É uma tentativa perversa de manter o controle sobre o que é considerado "civilizado". Quando alguém ataca um terreiro ou um barracão, essa pessoa não está defendendo a Bíblia ou qualquer outro livro sagrado, ela está projetando um ódio histórico e tentando apagar uma identidade que sobreviveu a séculos de opressão. É a negação da humanidade do outro através da negação da sua fé.

O uso da divindade para validar o preconceito é um dos maiores sintomas de uma alma que adoeceu. Quando usamos o nome de Deus para justificar a exclusão, estamos criando um "deus" à nossa imagem e semelhança, ele fica pequeno, vingativo e intolerante. O verdadeiro sagrado, em qualquer tradição que se preze, deveria ser uma ponte para o reconhecimento da individualidade e das diferenças do "outro", aceitando que existem perspectivas, culturas e modos de vida distintos dos seus, e não um muro.

O silêncio diante dessas agressões também é um posicionamento. Se nos sentimos confortáveis com a perseguição de uma fé que não é a nossa, estamos comunicando que o nosso respeito tem cor e endereço. E isso é o oposto de qualquer espiritualidade genuína.

Olhar para dentro e questionar: "Por que o sagrado do outro me ameaça tanto?" é um exercício libertador.

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Autor Valter Cichini Junior

A cura para a intolerância não está em convencer o mundo de que a nossa fé é a melhor, mas em entender que o respeito é a base de qualquer convivência ética. No fim das contas, a nossa verdadeira religião é a forma como tratamos quem não acredita nas mesmas coisas que nós.

Sempre se lembre que suas atitudes falam muito mais de você do que suas palavras!

Paz e luz.


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