O planeta Terra realmente é algo singular. É um lugar fantástico onde a vida teve condições de ser cultivada. Um verdadeiro berçário. A diversidade de espécies é tanta que somente com a fantasia se pode explicar. Ah, talvez a poesia? Talvez os poetas estejam mais próximos da verdade do que os demais, ou ai já é demais? Vai saber, né?
Para cada espécie, inúmeras formas, grandes pequenas, coloridas, doces, amargas. Em todas elas. Não há nenhuma que seja UMA. Sempre em pares e diversificados. Os cães por exemplo tem mais de quatrocentas espécies. As cobras, quase três mil. As aranhas, calculam em quase cinqüenta mil. Os humanos não são diferentes e, temos brancos quase alvos e pretos quase total. Grandes, pequenos, doces, amargos.
Todas as espécies, sejam violentas ou pacificas, estão dentro de seu habitat. Não há o que se falar em “mal”. Não no sentido de deliberar sobre algo. Não no sentido de premeditar sobre algo. Não no sentido de se magoar por algo. Não no sentido de se envergonhar por algo. Não no sentido de desconfiar de algo. Exceto uma.
Costumo dizer que a espécie humana é tóxica ao planeta, às espécies e, até entre seus pares. São frutos envenenados. Talvez ainda estejam com pedaços da primeira maçã oferecida pela bruxa que deixou a primeira mãe adormecida? E, por esta razão, caminham de quatro pés. E por esta razão ficam parados olhando com olhos ausentes, movendo o maxilar. Mas não podem engolir ou vomitar. Então o bolo alimentar não desce e não sobe. Por isso incomoda. Por isso acomoda. Por isso acabou virando moda.
Os gregos diziam que não havia mal no mundo, mas excesso. Esse excesso, essa toxina, leva, claro, as tragédias. Tai uma das maiores verdade. É preciso ter um pouco de cada. Um pouco de bem e um pouco de mal. Essa tempera é que forja os melhores metais. Mesmo assim, Hefesto precisa usar do martelo e do fogo para moldar verdadeiras obras de arte, de marte, de morte.
Esta espécie não sabe lidar com o revide. Esta espécie não sabe lidar com a traição, embora traiam o tempo todo. Traem amizades. Traem comodidades. Traem a confiança. Traem a bonança e, quando são traídos saem disparando: “TRAIDOR!”
Tenho por mim e, não me canso de repetir, que somos formados por muitos “males”. Muito mais do que “bons”. As pessoas estão cheias de seus males. Saem pelos olhos. Saem pelo hálito. Saem pelo habito. Saem pelas mãos. Saem pelos pés. Saem pelas expressões...
As pessoas esperam dos outros o que os outros esperam delas. Todos esperando que alguém faça algo, mas ninguém faz. Não ajudam a limpar, mas capricham no sujar. Não ajudam a trabalhar, mas capricham no gastar. O Mal sendo dado aos poucos, mas, de gota em gota e se enchem oceanos. De pó em pó e se formam os continentes.
Ninguém vive somente do bem. Ninguém vive somente do mal. Duas pontas impossíveis ao desenvolvimento do peregrino. Duas pontas impossíveis de se extrair o melhor guerreiro.
A vida é uma linha com sobe e desce. Se se divertiu muito e a linha subiu muito, pode ter certeza que ela vai descer na mesma altura. O ferro para atingir sua tempera, precisa do fogo quente e da água fria, quase que no mesmo momento.
Quem foi o mal? O fogo ou a água?
Quem fez o bem? A água ou o fogo?
Não somos bons e não somos maus, somos o que somos e, estamos aqui para aprender a dominar esse poder.
Um poder dos deuses dado a demônios.
Mas demônios são deuses em potencial.
Qual a diferença entre eles?
Esta no sorriso.
Ernani Leal Paula

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