O problema nunca foi a religião. O problema começa quando ela vira esconderijo para quem não quer se confrontar consigo mesmo.
É muito fácil repetir uma doutrina, frequentar um templo, citar mestres, decorar princípios e ainda continuar tratando os outros com arrogância, crueldade, inveja ou desprezo. A roupa pode mudar. O vocabulário pode parecer elevado. A consciência, porém, continua no mesmo lugar.
Espiritualidade também não imuniza ninguém contra o ego. Há quem troque dogmas por cristais, rituais por “energia”, culpa por “vibração” e continue tão intolerante quanto antes. Só mudou o idioma da vaidade.
Consciência é outra coisa.
Ela começa quando a pessoa deixa de usar a fé para julgar e passa a usá-la para se corrigir. Quando para de procurar demônios, obsessores, invejosos e inimigos em toda parte e pergunta quanto da própria desordem está sendo projetado no mundo.
A religião pode orientar.
A espiritualidade pode ampliar.
Mas nenhuma das duas substitui lucidez.
Sem consciência, até a fé pode virar instrumento de fuga, superioridade e autoengano.
E talvez seja isso que mais incomode: não é o quanto você fala de Deus que revela sua evolução.
É o que você faz quando ninguém está olhando.
É a forma como trata quem não pode lhe oferecer nada.
É o que você se torna quando não precisa parecer espiritual para ninguém.
No fim, consciência não é saber mais.
É precisar mentir menos para si mesmo.
Diário Espírita

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