17/09/2026

Versões de você

Existe um momento em que uma pessoa para de olhar para trás e começa a compreender a própria travessia.

Não foram apenas pessoas que passaram pela sua vida.


Foram versões de você.

Cada escolha abriu uma porta.

Cada porta revelou um caminho.

Cada caminho, uma realidade.

Algumas portas trouxeram amor.

Outras trouxeram dor.

Algumas exigiram permanência.

Outras exigiram coragem para partir.

E todas fizeram parte de quem você era naquele momento.

Existe a pessoa que ficou.

A que partiu.

A que teve medo.

A que teve coragem.

A que caiu.

A que recomeçou.

Todas fazem parte da travessia.

Durante muito tempo, a gente olha para trás imaginando como teria sido se tivesse escolhido outra estrada.

Até compreender que não existe uma vida perfeita escondida atrás de uma escolha diferente.

Existe a vida que foi vivida.

E o caminho escolhido foi o caminho certo para aquela versão que existia naquele momento.

Depois de conhecer a intensidade, a espera, a incerteza, a paixão, a despedida e os ciclos que pareciam não terminar, chega uma hora em que a calmaria passa a ter outro significado.

Porque intensidade não é sinônimo de profundidade.

E amor não precisa ser sofrimento para ser verdadeiro.

A paz não é falta de amor.

Paz é uma forma de amor que não precisa destruir ninguém para provar que existe.

Mas viver em paz não é ser passivo.

Não significa aceitar tudo calado, agradecer pelo desrespeito ou permitir que alguém imponha sobre você uma realidade que não é a sua.

Cada pessoa enxerga a vida a partir do próprio espelho.

E aquilo que alguém aponta no outro, muitas vezes, revela o lugar de onde essa pessoa está olhando.

Defender um ponto de vista não é criar uma guerra.

É saber dizer não.

É colocar limites.

É defender ideias.

É sustentar a própria verdade.

Isso também é coragem.

E, quando um conflito precisa ser enfrentado, que seja para resolver.

Que seja para pacificar.

Não para permanecer nele.

Porque paz não é fugir do conflito.

É não transformar o conflito em morada.

No fim da travessia, não é preciso voltar para nenhuma porta.

As portas ficaram para trás.

As versões continuam dentro de nós, mas o caminho continua adiante.

E depois de tanta travessia, existe uma conquista que vale mais do que qualquer resposta:

paz.

Paz dentro de si.

Paz nas relações.

Paz na própria realidade.

Viver em paz não é ser besta.

É ter coragem de defender a própria verdade sem perder a própria paz.

Porque escolher a paz nunca deveria significar abrir mão de si para mantê-la.

Fernanda Luzia Sanders ✍️

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