De empatia elevada, guiadas por sentimentos, com equilíbrio emocional e sensibilidade intensa,
de uma percepção aguçada e elevada, com a capacidade de sentir e absorver o mundo ao seu
redor, as almas sensíveis não caminham apenas sobre a terra. Percorrem estradas invisíveis, onde o silêncio possui voz e o vento transporta mensagens que jamais passaram pelos lábios do
mundo. Escutam frequências que não pertencem aos ouvidos, mas ao coração desperto. Enquanto
muitos enxergam coincidências, elas reconhecem o delicado bordado com que o Invisível costura os acontecimentos da existência. Recolhem ecos que
ainda procuram um nome. Percebem a mudança da maré antes que o oceano se mova. Sentem o perfume da flor quando a semente ainda repousa
escondida no ventre escuro da terra. Sabem, sem saber explicar, que toda aurora começa muito antes do primeiro raio de luz. Por isso, tantas vezes, carregam o peso de sentir aquilo que os outros ainda não conseguem perceber. Confundem sua
profundidade com excesso. Sua delicadeza com fragilidade. Sua abertura com desordem. Mas a
alma desperta não é frágil. É apenas transparente.
E tudo o que é transparente permite que o universo atravesse sua existência, sem encontrar
resistência. Existe dentro delas uma antiga linguagem, mais velha que os livros, mais vasta que
os templos, mais silenciosa que as montanhas. É o idioma que as estrelas esqueceram de esconder e que o coração ainda recorda. Cada emoção é uma porta entre mundos. Cada silêncio, um mestre paciente que ensina sem pronunciar ensinamentos.
Cada lágrima leva um espelho interior. Cada encontro é uma lembrança de que nenhuma alma
chega por acaso ao caminho de outra. E cada minuto vivido em absoluta presença faz o tempo
abandonar o seu próprio nome. Nesse instante, a eternidade abre discretamente uma de suas
infinitas janelas, e a eternidade respira através do ser humano.
Talvez o maior dos milagres não seja perceber aquilo que habita o invisível. Talvez seja tornar-se
tão silenciosamente verdadeiro que já não exista distância entre aquilo que se vive e aquilo que se é. Vivendo no autoconhecimento essencial, que encontra e
percebe intenções, antes mesmo de serem expressas.
Então a alma se deixa levar pela Luz e vive de estímulos sensoriais intensos.
Ela própria se torna claridade.
Já não procura respostas, porque aprendeu a habitar o mistério.
Já não pede sinais, porque reconhece que toda a criação é uma revelação contínua. E deixa de sussurrar como quem teme o silêncio. Pois canta e encanta, não para ser ouvida, mas porque
descobriu que o Universo inteiro sempre esteve cantando dentro dela, em um coro de almas sensíveis.
Paulo Elias

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