26/07/2026

Dinheiro x Energia


Talvez tenhamos passado tempo demais contando a vida com a régua errada.

Somamos posses, medimos conquistas, calculamos aquilo que conseguimos guardar, como se a existência pudesse ser reduzida ao que cabe numa conta, numa escritura ou dentro de uma gaveta.

Mas há uma contabilidade muito mais antiga acontecendo longe dos números.

Ela registra a forma como você atravessa os lugares.

Há quem deixe um ambiente mais pesado depois de partir. Há quem, sem perceber, devolva ar às pessoas. Uma conversa de poucos minutos pode alterar o rumo de uma tarde inteira. Um olhar pode ferir durante anos. Uma presença tranquila pode fazer alguém descansar de batalhas que jamais contou a ninguém.

Talvez essa seja uma das moedas invisíveis da Terra.

Aquilo que circula de nós para o mundo.

Pensamentos viram palavras. Palavras alcançam pessoas. Gestos criam memórias. E, pouco a pouco, vamos deixando pequenas parcelas de nossa existência depositadas na história de quem cruza nosso caminho.

Nenhum dinheiro compra a sensação de chegar perto de alguém e sentir que podemos baixar a guarda.

Nenhuma fortuna fabrica um abraço onde o corpo finalmente entende que está seguro.

Nenhum patrimônio substitui a raridade de uma presença que não invade, não pesa, não exige, apenas acolhe.

Somos feitos também daquilo que provocamos nos outros.

Por isso, talvez a pergunta mais preciosa ao final de cada encontro não seja quanto levamos conosco.

Mas que espécie de mundo ficou naquele lugar depois que passamos por ele.

Joel Boreall

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