Tem gente que prefere destruir a própria saúde emocional a decepcionar alguém.
Engole desaforo, aceita humilhação, perdoa a mesma crueldade cem vezes e ainda se pergunta se não está sendo egoísta por querer sossego.
Até que um dia o corpo adoece, o coração se cansa e a alma já não suporta mais viver implorando por um mínimo de consideração.
E é nesse dia que alguma coisa precisa morrer dentro de você: a necessidade de ser aceita por quem só sabe ficar quando você se diminui.
Você passou anos tentando manter pessoas por perto, mesmo quando elas faziam da sua presença um lugar de sofrimento.
Mediu palavras para não provocar brigas, escondeu lágrimas para não parecer fraca e pediu desculpas por coisas que nem sequer fez.
Talvez tenha chamado isso de amor, de paciência, de compromisso ou até de dever espiritual, mas nenhuma dessas palavras deveria servir de desculpa para alguém pisar na sua dignidade.
Existe uma diferença enorme entre perdoar alguém e permitir que essa pessoa continue ferindo você.
O perdão pode libertar seu coração do ódio, mas não obriga você a abrir novamente a porta para quem já demonstrou que não respeita seus limites.
Até na caminhada espiritual, precisamos compreender que amar o próximo não significa abandonar a nós mesmos. Deus não nos pede para transformar nossa vida em um altar de sacrifício para alimentar o orgulho, a maldade ou a conveniência de outras pessoas.
Às vezes, a lição mais difícil não é aprender a amar, mas entender quando o amor precisa deixar de ser convivência. Há afastamentos que doem como um luto, porque você não perde apenas alguém; perde também a esperança de que aquela pessoa finalmente reconheça seu valor.
E vai doer, sim. Haverá domingos silenciosos, datas especiais sem mensagens e momentos em que você sentirá vontade de procurar quem tanto a machucou, só para não sentir o vazio de estar só. Mas não confunda saudade com sinal de que precisa voltar, nem solidão com prova de que tomou a decisão errada.
Na visão espiritualista, cada encontro pode trazer aprendizados, mas isso não significa que todas as pessoas devam permanecer ao nosso lado para sempre. Algumas nos ensinam pelo carinho; outras, pela dor que finalmente nos obriga a despertar.
Chega uma hora em que você precisa parar de negociar a própria dignidade para não perder companhia. Porque a presença de alguém nunca deveria custar sua paz, sua autoestima e o direito de existir sem medo.
E se, depois de estabelecer limites, algumas pessoas forem embora, chore o que precisar chorar, mas não se condene por ter escolhido a si mesma. Às vezes, o silêncio de uma casa vazia machuca menos do que a crueldade de dividir a vida com quem faz você se sentir sozinha todos os dias.
Você não veio ao mundo para ser aceita a qualquer preço. Veio também para aprender, evoluir e compreender que o amor verdadeiro não exige que você desapareça para que outra pessoa se sinta maior.
Chico - Cartas de Paz e Consolação

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