"Amanhã eu faço...
Hoje não consigo,
o peso das horas me prende,
o relógio me engole em silêncio.
Outro dia, talvez,
quando o sol for mais leve,
quando a vida me der folga,
quando eu acreditar que há tempo.
Mas o tempo não espera,
ele corre como rio sem margens,
escorre entre os dedos,
desfaz promessas em espuma.
E a pessoa se foi,
levada pelo vento dos dias,
como sombra que se apaga
na última luz da tarde.
Nada foi feito,
nenhuma palavra dita,
nenhum gesto entregue.
Só o vazio, só o arrependimento.
O amanhã que nunca chega
é apenas o eco do hoje perdido.
E o que deixamos para depois
se torna eternidade ausente."
Aparecida Fernandes

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