18/01/2026

Neuroses


O psiquiatra atende ao telefone. A paciente, jovem senhora sob tratamento, reclama:

– Doutor, estou muito preocupada.

– O que houve?

– Venho notando que meu cocô está leve, boiando, ao invés de depositar-se no fundo do vaso. É grave?

– É normal. Não se preocupe. Acontece, às vezes.

Momentos depois, nova ligação.

– Desculpe, doutor, pela insistência… O senhor acha mesmo que não tem problema?

– Com certeza! Fique tranquila.

Mais alguns minutos e…

– Doutor, estive pensando… O normal não seria um cocô mais pesado?

– Olhe, menina, vou lhe dizer o que realmente acontece. O problema é da cabeça. O cocô leve vem de seu cérebro.

Podemos enfatizar nesse episódio a impaciência do médico. Não deveria estar presente num profissional de psiquiatria, treinado e muito bem pago para ouvir, ainda que, eventualmente, importunado, pela clientela. Psiquiatra sem paciência deve reciclar-se, revendo os fundamentos de sua especialidade.

Mais interessante, no caso, considerar a paciente. Ela é o exemplo típico das fantasias geradas pela neurose, esse problema que costuma envolver pessoas demasiadamente preocupadas consigo mesmas. A ansiedade é sua principal característica, levando-as a superestimar seus problemas e dificuldades, como quem usa óculos de grau mal ajustados.

O neurótico enxerga de forma “desfocada” as situações e as pessoas. Alguns exemplos:

Riem para ele.

Julga que riem dele.

Não o cumprimentam, por distração.

Imagina desconsideração.

Recebe elogio sincero.

Enxerga bajulação.

Não se comunica.

Reclama que o ignoram.

Com semelhante visão, tem muita facilidade para sentir-se discriminado, isolado, injustiçado, perseguido, humilhado… É dado a teorias conspiratórias, supondo que as pessoas tramam algo contra si. Resvala com facilidade para a hipocondria, preocupando-se até com a consistência de seus dejetos.

Há duas realidades: O que vemos e o que é.

A estabilidade íntima depende de nossa capacidade em aproximar uma da outra. Quando menino, eu era míope, sem saber. Na escola, sentava próximo ao quadro negro; no cinema, nos primeiros lugares, em face de minha limitação.

Como a miopia é progressiva, vamos nos adaptando à redução da acuidade visual, sem perceber a própria deficiência. A paisagem, para mim, já com três graus, era um borrão, aparentemente natural.

Quando, finalmente, consultei o oftalmologista e usei o primeiro par de óculos, foi um deslumbramento. Encantei-me com a luminosidade dos objetos, a visão dos pássaros ao longe, os contornos da paisagem… Enxergava, sem problemas o letreiro nos filmes, os registros na lousa…

Nossas neuroses situam-se como uma miopia da alma, impedindo-nos de enxergar as realidades existenciais, detendo-nos em perturbadoras fantasias, a partir de meros borrões.

A maneira como enxergamos o mundo é decisiva em relação à própria saúde, física e psíquica. A visão desfocada, que caracteriza o comportamento neurótico, é extremamente desajustante.

Por isso Jesus proclama, em O Sermão da Montanha (Mateus, 6:22-23): “São teus olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso. Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que há em ti sejam trevas, que grandes trevas serão”.

Richard Simonetti

Fonte:correioespirita.org.br

ENERGIA SEXUAL NOS ÁTOMOS E MOLÉCULAS


A questão da positividade e negatividade são convenções necessárias para explicar cargas energéticas opostas que se atraem mutuamente.

Na questão 540 de O Livro dos Espíritos, atendendo a uma indagação de Kardec, os Espíritos esclarecedores colocam a certo ponto da resposta a seguinte assertiva:

- "É assim na natureza que tudo serve e tudo se encadeia desde o átomo primitivo até o arcanjo que começou por ser átomo".

O princípio espiritual, ao ligar-se ao átomo, já contém todo o potencial para expressar a energia sexual.

O átomo é, eletricamente falando, neutro e sua estrutura é composta de um núcleo (núcleo atómico) e uma coroa de elétrons (coroa eletrônica).

O núcleo atômico é considerado energeticamente positivo e a coroa eletrônica energeticamente negativa.

Por isto, ocorre uma atração constante e mútua entre o núcleo (positivo) e a coroa (negativa) do átomo.

Esta atração constante entre a coroa eletrônica e o núcleo determina que a coroa eletrônica permaneça sempre girando em torno do núcleo atômico.

No núcleo de todo átomo são os prótons que determinam ou expressam a energia positiva, enquanto que na coroa do átomo são os elétrons que determinam as cargas negativas.

A questão da positividade e negatividade são convenções necessárias para explicar cargas energéticas opostas que se atraem mutuamente.

Poderíamos fazer uma analogia dessas cargas energéticas positivas e negativas, com as energias masculinas e femininas ou Yin e Yang, tais como as conhecemos ou denominamos em outros seres da natureza.

O fenômeno da atração magnética na intimidade do átomo, que representa o microcosmo do nosso universo conhecido, já é, na dimensão primitiva, uma expressão da sexualidade com polos opostos se atraindo, complementando e gerando em consequência desta atração novas estruturas de organização crescente, ou seja, evolutivas.

Quando dois ou mais átomos se unem ou se associam, originando as moléculas, o fazem por ligações de diversos tipos, mas que equivalem a uniões energéticas com intensa interdependência e troca de energias.

As moléculas se formam e se mantêm estruturadas pelo intercâmbio íntimo entre seus átomos.

A energia sexual existe em todos os seres da natureza e neles se expressa de forma evidente desde os átomos e moléculas.

Evoluirá até as expressões mais sutis nos seres angelicais onde atinge os píncaros da mais sublime manifestação.

O princípio espiritual ao ligar-se ao átomo já contém todo o potencial para expressar a energia sexual.

Ricardo Di Bernardi

Síndrome da Ressonância Vibratória com o Passado


Lembranças sugestivas de uma outra encarnação, seguramente, fluem de um arquivo de memória que não o existente no cérebro material, sugerem a evidência de arquivos perenes situados em campos multidimensionais da complexidade humana, portanto, estruturas que pré existem ao berço e sobrevivem ao túmulo. O espírito eterno que nos habita, guarda todas as cenas vividas nas encarnações anteriores. Tudo, sensações, emoções e pensamentos, com todo seu colorido.

Ressonância vibratória com o passado, são vislumbres fugazes de fatos vivenciados em uma outra equação de tempo e que, em certas circunstâncias, na encarnação atual, emergem do psiquismo de profundidade através de flashes ideoplásticos de situações vividas em encarnações anteriores. A pessoa encarnada não se recorda de vidas passadas porque o cérebro físico não viveu aquelas situações, e, logicamente, delas não tem registro. Nosso cérebro está apto a tratar de fenômenos que fazem parte da existência atual, e não de outras.

Se a ressonância é de caráter positivo, expressando a recordação de um evento agradável, não desperta maiores atenções, confundindo-se com experiências prazerosas do cotidiano. Porém, no caso de uma ressonância negativa, ocorrem lembranças de certas atitudes infelizes do homem terreno, a exemplo, de suicídios, crimes, desilusões amorosas e prejuízos infligidos aos outros, podem gerar conflitos espirituais duradouros. São contingências marcantes, responsáveis por profundas cicatrizes psicológicas que permanecem indelevelmente gravadas na memória espiritual.

Nas reencarnações seguintes, essas reminiscências podem emergir espontaneamente sob a forma de “flashes ideoplásticos” e o sujeito passa a manifestar queixas de mal-estar generalizado com sensações de angústia, desespero ou remorso sem causas aparentes, alicerçando um grupo de manifestações neuróticas, bem caracterizadas do ponto de vista médico-espírita e denominadas – Ressonâncias Patológicas – como bem as descreveu o Dr. Lacerda.

Uma determinada situação da vida presente, uma pessoa, um olhar, uma jóia, uma paisagem, uma casa, um móvel, um detalhe qualquer pode ser o detonador que traz a sintonia vibratória. Quando a situação de passado foi angustiosa, este passado sobrepõe-se ao presente. A angústia, ocorrendo inúmeras vezes, cria um estado de neurose que com o tempo degenera em psicopatia. Estados vibracionais como estes podem atrair parasitas espirituais que agravam o quadro.

Durante um atendimento, incorporou o espírito de uma criança. O pai desta criança foi convocado para a guerra e disse a ela que ele voltaria para buscá-la. O pai morreu em uma batalha. A aldeia em que moravam foi bombardeada, a criança desencarnou junto com outros. O doutrinador, naquela encarnação foi o pai da criança. O corpo mental da criança ficou preso à situação de passado pela promessa do pai e os outros habitantes da aldeia ficaram magnetizados àquela situação. Todos foram atendidos. O fator desencadeante: a criança, em sua atual encarnação é dentista e tendo o doutrinador como paciente.

Fonte: SBA/SOCIEDADE BRASILEIRA DE APOMETRIA

Sócrates – O Poder da Pergunta: “Conhece-te a ti mesmo” na Era da Informação


Em meio ao turbilhão de estímulos da era digital, onde respostas rápidas são mais valorizadas do que reflexões profundas, a sabedoria de Sócrates ecoa com uma urgência renovada. Seu famoso preceito — “Conhece-te a ti mesmo” — não é apenas uma máxima filosófica, mas um convite atemporal à consciência, à autenticidade e à liberdade interior. E o caminho que ele propõe para esse autoconhecimento é simples, porém revolucionário: a pergunta.

Sócrates não oferecia respostas prontas. Ele questionava. E ao fazê-lo, desarmava certezas, desvelava ilusões e conduzia seus interlocutores a enxergar o que antes estava oculto. O poder da pergunta, para ele, era o poder de despertar. Hoje, em um mundo saturado de opiniões, algoritmos e distrações, essa prática socrática se torna um antídoto contra a alienação de si mesmo.

Uma forma prática de aplicar esse ensinamento é cultivar a autoindagação diária. Antes de agir, postar, consumir ou reagir, fazer uma pausa e perguntar:  

“Por que estou fazendo isso?”  

Essa simples pergunta pode revelar motivações inconscientes, impulsos condicionados ou desejos que não são realmente nossos. Ela nos devolve o protagonismo sobre nossas escolhas.

Dicas práticas para viver o “Conhece-te a ti mesmo” hoje

1. Diálogo interno diário  

Reserve 5 minutos por dia para refletir sobre suas ações e emoções. Pergunte-se:  

 - O que senti hoje?  

  - Por que reagi daquela forma?  

  - O que isso revela sobre mim?

2. Antes de agir, pergunte-se:  

 - Estou fazendo isso por mim ou para agradar os outros?  

 - Isso está alinhado com meus valores?  

 - Qual é a real intenção por trás dessa escolha?

3. Use um diário de perguntas  

Escreva uma pergunta por dia e responda com sinceridade. Exemplos:  

- O que me move?  

- O que estou evitando enfrentar?  

- O que me faz sentir vivo?

4. Pratique o silêncio consciente  

Desconecte-se por 10 minutos ao dia. Sem celular, sem música. Apenas você com seus pensamentos. O silêncio é o solo fértil onde as perguntas florescem.

5. Evite respostas automáticas  

Quando alguém te perguntar algo importante, respire antes de responder. Dê espaço para a reflexão. A pressa é inimiga da consciência.

6. Crie um “momento Sócrates” semanal  

Escolha um dia da semana para fazer uma autoentrevista. Questione suas decisões recentes, seus planos e seus medos. Seja seu próprio filósofo.

Na era atual, onde a performance muitas vezes substitui a presença e a aparência suplanta a essência, conhecer-se a si mesmo é um ato de coragem. É resistir à superficialidade e mergulhar na complexidade do próprio ser. É entender que liberdade não é fazer o que se quer, mas saber por que se quer o que se faz.

Colocar em prática o “Conhece-te a ti mesmo” é, portanto, um exercício diário de escuta interior. É transformar cada ação em um espelho, cada decisão em um portal de autoconhecimento. É trocar o piloto automático pela consciência. E, acima de tudo, é lembrar que a pergunta certa, feita no momento certo, pode ser mais transformadora do que mil respostas.

Em um tempo em que todos querem ter razão, Sócrates ainda nos ensina que o verdadeiro sábio é aquele que ousa perguntar — e, com humildade, reconhecer que o maior conhecimento começa dentro de si.

Consciência que Cura!



O Bilhete que o Avô Analfabeto Escreveu do Outro Lado


Era uma segunda-feira comum. Pedro, 28 anos, chegou do trabalho exausto. A semana tinha sido pesada: demissão recente, namoro em crise, pai doente. Jogou a mochila no sofá, tomou banho rápido e caiu na cama ainda úmida.

Acordou de madrugada com uma sensação estranha. Luz fraca no quarto. Olhou pro criado-mudo e congelou.

Ali, dobrado ao meio, havia um bilhete escrito à mão.

Papel amarelado, caligrafia caprichada, letra arredondada e perfeita de quem escreve com calma. Mensagem curta, mas que atravessou o peito dele como flecha:

"Meu menino,

Força aí. Tô vendo você de longe.

Vai dar certo.

Vovô João"

O sangue gelou.

O avô João era analfabeto. Nunca soube ler uma linha, assinar o nome. Morreu há 10 anos, depois de uma vida inteira de trabalho braçal, roçado, gado, sol no lombo. No enterro, a família riu com carinho lembrando que ele pedia pros netos lerem as placas de trânsito pra ele.

Pedro pegou o bilhete com mãos trêmulas. O papel era real, tinta ligeiramente borrada nas bordas, como se tivesse sido escrito com caneta esferográfica comum. Dobraduras nítidas. Sem erro de português. Caligrafia elegante.

Ele correu pelas memórias. Ninguém da família escrevia assim. A avó tinha letra miúda e trêmula. O pai, garranchos. Ninguém entrara no quarto — porta trancada, janela fechada, sozinho em casa.

O pânico misturado com um conforto esquisito tomou conta. Sentou na cama, leu e releu. E, entre o susto e as lágrimas, pensou:

“Vovô… como? Você nem sabia escrever.”

Na manhã seguinte, levou o bilhete pra uma amiga médium que conhecia há anos. Contou a história, envergonhado, esperando ouvir “bobagem”. Ela olhou o papel, sentiu um arrepio e disse algo que mudou tudo:

“Seu avô aprendeu a escrever aqui. Ele tá num lugar onde não tem mais as limitações do corpo. Lá, a gente continua evoluindo. Ele quis te mostrar que tá bem, que venceu o analfabetismo que carregou a vida toda, e que tá te acompanhando de perto. Esse bilhete não caiu do céu. Ele materializou ele aqui, usando a energia da casa de vocês. É um recado duplo: ‘tô vivo, tô bem e tô cuidando de você’.”

Pedro duvidava. Levou o papel pra análise: não era impressão digital, não era montagem, tinta comum de caneta bic, papel de caderno pautado igual aos que o avô usava pra embrulhar pão décadas atrás.

O choque virou paz.

Começou a conversar com o avô em voz alta, contando os problemas, pedindo conselho. Dias depois, conseguiu um emprego melhor. O namoro terminou, mas sem dor. O pai melhorou.

E toda noite, antes de dormir, olhava pro criado-mudo e dizia:

“Obrigado pelo bilhete, vovô. Você que é analfabeto aí não, né? Me ensina a ter essa força?”

Esse fenômeno tem raízes profundas em relatos onde desencarnados, livres das limitações físicas, demonstram conquistas impossíveis em vida — como escrever quando nunca souberam. Usam a energia ambiente (ectoplasma sutil) pra materializar mensagens físicas, mostrando evolução espiritual e presença amorosa pra quem ficou.

O analfabeto da Terra se tornou escritor do outro lado.

Não pra impressionar.

Pra abraçar o neto à distância e dizer:

“Eu tô aqui, menino.

Evoluindo por mim.

Cuidando de você.

Força aí.”

As Coisas


Há coisas que tomamos como certas

até que, um dia, deixam de estar.

Respirar sem dor.

Acordar com um corpo que responde.

Ter energia para levantar, caminhar, pensar, sentir.

Isso não é óbvio.

Isso é um privilégio imenso.

Estar vivo não é apenas existir.

É ter um corpo que te permite experimentar esta vida.

Rir.

Chorar.

Abraçar.

Curar.

Escolher.

Também é um privilégio poder parar e dizer:

isso não me faz bem

e ter a possibilidade, mesmo com medo, de mudar.

Nem todos podem.

Nem todos chegam a esse nível de consciência.

É um privilégio ter sensibilidade.

Sentir profundamente.

Questionar.

Buscar paz.

Perguntar a si mesmo como estar melhor por dentro.

Isso também é despertar.

Muitas vezes pedimos mais sem perceber

tudo o que já está nos sustentando.

E não se trata de se conformar.

Trata-se de agradecer a partir da alma

para não viver na carência.

A gratidão verdadeira não é uma lista bonita.

É uma pausa.

É reconhecer que hoje você está aqui,

com um corpo que te acompanha

e uma consciência que te permite cuidar de si.

Isso,

isso já é abundância.

Isso já é amor.

Isso já é um presente enorme.

E talvez hoje,

o mais espiritual que você possa fazer

não seja pedir nada a mais,

mas agradecer em silêncio

tudo o que já lhe foi dado.



17/01/2026

Impulsos, Autocontrole e Culpa


Impulsos, autocontrole e culpa formam um eixo central da experiência humana, atravessando tanto a vida psíquica quanto o funcionamento biológico do cérebro. Eles revelam o conflito constante entre o que emerge de forma automática e o que é regulado pela consciência, pela cultura e pelas relações.

Os impulsos nascem de camadas profundas da mente. São respostas rápidas, muitas vezes inconscientes, ligadas ao desejo, à sobrevivência e à busca de prazer ou alívio da tensão. Do ponto de vista psicanalítico, relacionam-se às pulsões; do ponto de vista neurobiológico, aos circuitos automáticos do sistema límbico, moldados por experiências precoces e pela necessidade de adaptação. O impulso não é um erro do sistema, mas uma tentativa primária de satisfação ou proteção.

O autocontrole surge como uma função mediadora. Ele depende da capacidade do ego de adiar a descarga impulsiva e avaliar consequências, limites e contextos. No cérebro, essa função está associada ao córtex pré-frontal, responsável por inibir respostas automáticas e organizar a ação no tempo. O autocontrole, porém, não é constante nem absoluto; ele se fragiliza sob estresse, cansaço emocional, trauma ou excesso de exigências internas.

É nesse ponto que a culpa entra em cena. A culpa aparece quando o impulso entra em conflito com valores internalizados, regras morais ou expectativas do outro significativo. Para a psicanálise, ela está intimamente ligada ao superego, instância que julga, cobra e pune internamente. Quando o autocontrole falha ou é vivido como insuficiente, a culpa surge como uma tentativa de restauração da ordem psíquica, ainda que frequentemente de forma rígida e dolorosa.

O problema se instala quando a culpa deixa de ser sinal e passa a ser prisão. Em vez de favorecer reflexão e responsabilidade, ela se transforma em autocondenação, reforçando ciclos de repressão e repetição. Quanto mais o impulso é reprimido sem elaboração, mais tende a retornar de forma disfarçada, intensa ou sintomática, alimentando novamente a culpa.

Compreender essa dinâmica é fundamental para o amadurecimento psíquico. Impulsos precisam ser reconhecidos, não negados; o autocontrole precisa ser construído com flexibilidade, não com violência interna; e a culpa precisa ser transformada em consciência, não em punição. Quando há espaço para simbolizar o desejo e compreender suas origens, o sujeito deixa de ser governado por forças inconscientes e passa a fazer escolhas mais alinhadas com sua história e seus valores.

Nesse equilíbrio possível entre impulso, regulação e ética interna, o sofrimento diminui e a liberdade psíquica se amplia.

Texto por : Psicanalise Inconsciente

QUANDO DESPERTAR CRIA UMA DISTÂNCIA INVISÍVEL


Às vezes, estás rodeado de pessoas que conheces desde sempre — numa mesa de jantar, numa reunião ou apenas a conviver — e tens uma sensação estranha.

Tudo está no seu lugar: conversas, risadas, gestos familiares. E, no entanto, algo já não funciona.

Você está aqui... mas ao mesmo tempo à distância, como se estivesses a ver a cena por detrás de uma janela.

O mais perturbador é que essa distância não foi escolhida.

Você não se retirou do mundo por rejeição, nem por cansaço social voluntário. Muito pelo contrário. Muitas vezes, este sentimento surge após um período de profunda abertura interior: anos de leitura, questionamento, meditação, trabalho próprio, busca sincera pela verdade e pela paz.

E no entanto, paradoxalmente, esta nova clareza parece estar a escavar uma lacuna com aqueles que te rodeiam.

Assim que as conversas leves se tornam pesadas.

Encontros antigamente naturais estão ficando cansativos.

Alguém está falando, e quase imediatamente, algo se fecha dentro de você.

Você está contando os minutos. Procurando uma saída. E uma pergunta volta, persistente:

Que raio se passa comigo? Por que eu não posso mais ser "normal"?

A dúvida dentro

Naqueles momentos de solidão, uma dúvida mais profunda pode surgir.

Me tornei arrogante sem perceber?

Escorreguei para alguma forma de frieza espiritual?

Estou confundindo isolamento com sabedoria?

O medo é legal. Ela mostra que você ainda é capaz de se questionar - o que é, em si mesmo, um sinal de clareza, não de superioridade.

Mas e se a realidade fosse diferente?

E se o que você está vivendo não tiver nada a ver com a rejeição dos outros, nem com um sentimento de elevação pessoal?

E se esse desconforto foi simplesmente causado pelo fato de você não poder fingir mais?

Fim da participação em ilusões

Quando uma pessoa realmente desperta para a natureza das coisas, ela não se torna nem difícil, distante por escolha, nem desinteressado pela humanidade.

O que desaparece não é o amor - é a capacidade de participar inconscientemente de ilusões coletivas.

Porque grande parte do que chamamos de "interações sociais" é baseada em acordos tácitos:

os papéis a desempenhar,

Máscaras para usar.

Histórias a serem mantidas,

nunca olhando muito profundamente para o que está jogando por baixo.

Não são mentiras maliciosas.

Mecanismos de sobrevivência psicológica, amplamente compartilhados.

Mas quando um dia a cortina sobe - quando vemos claramente a estrutura do jogo - torna-se impossível voltar atrás.

Como quando alguém entende como funciona um truque de magia: o espanto desaparece, não por cinismo, mas por causa da clareza.

Vendo além das palavras

De agora em diante algo muda na forma como você ouve.

Já não ouves apenas palavras.

Percebes o que está por trás.

Por trás de um sorriso você sente a tensão.

Por trás de cada conversa, uma busca por validação.

Por trás de cada sucesso de contar histórias, um pedido silencioso:

"Diga que eu valho"\nDiga que eu existo. »

Quando alguém pergunta como você está, às vezes você sente que não está realmente ouvindo.

Esperando a vez dele para falar. Sua vez de existir.

E isto não é um julgamento.

Isto é uma observação.

Por que está acabando

O verdadeiro esgotamento não vem dos outros.

Vem do fato de que seu ser interior agora reconhece esse atraso - e se recusa a cooperar inconscientemente.

Você ainda pode desempenhar o papel se necessário.

Conheces os códigos.

Respostas esperadas.

A coreografia social.

Mas alguma coisa foi desistida.

Já não há vida nela.

Acabou-se a verdade sentida.

Ficando sem ressonância.

Participar dessas trocas torna-se similar a comer comida que não tem sabor - ou pior, que deixa um sabor artificial.

Sua fadiga não é sinal de rejeição.

Este é um sinal de que o seu sistema interno não pode mais suportar o que não está alinhado.

Uma transição, não um erro

Esta passagem é desconfortável, às vezes solitária, muitas vezes incompreendida.

Mas ele não marca uma derrota.

Ele marca uma transição.

Entre uma vida baseada no desempenho inconsciente

e uma presença baseada na autenticidade.

Você não ficou frio.

Acabaste de ficar mais real.

E aprender a viver desse espaço - sem se fechar, sem se trair - é um dos aprendizados mais sutis e profundos do caminho para dentro.

Alan Watts

ESGOTAMENTO MENTAL NÃO É FRAQUEZA. É INFLAMAÇÃO


Não é só cansaço.

Não é "falta de foco".

E definitivamente não é frescura.

Quando a mente não descansa, o corpo entra em modo de ameaça constante.

O estresse psicológico crônico ativa o eixo do alerta (hipotálamo–hipófise–adrenal) como se você estivesse em perigo o tempo todo. O resultado?

Uma liberação contínua de sinais inflamatórios que deveriam ser temporários.

No começo, o cortisol tenta conter o estrago.

Com o tempo, ele perde eficiência.

O sistema imunológico se desregula.

A inflamação se espalha sem vírus, sem bactéria, sem inimigo externo.

Isso se chama inflamação estéril.

No cérebro, a defesa vira excesso.

As células de proteção entram em hiperatividade.

As conexões ficam lentas.

Surge a névoa mental, a fadiga profunda, a dor difusa, o apagamento emocional.

O corpo não sabe diferenciar uma ameaça real de uma preocupação constante.

Para ele, pensamento obsessivo também é perigo.

Por isso, ignorar o descanso mental cobra um preço biológico.

E alto.

Cuidar da mente não é luxo.

É estratégia de sobrevivência celular.

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica.

Fonte:Quantic Despert - by Paula Cabral 

16/01/2026

TRANSFORMAÇÃO


A transformação mais linda não é a que muda sua forma, mas a que te ensina a voar… leve.

Sem carregar o peso do que te feriu, do que te prenderia ao chão.

Voar é libertar-se.

É aprender a agradecer o que passou, sem precisar levar junto.

A verdadeira transformação acontece quando você entende que não precisa mais carregar o que te machucou.

Voar não é só sobre alcançar novos lugares… é sobre se libertar do peso do que já não te serve.

Conexão da Alma 

PESSOA SISTEMÁTICA


Uma pessoa sistemática é aquela pessoa certinha em que tudo tem que ser de um "jeito certo" que ela convencionou . . . Tudo arrumadinho e organizado do jeito dela.

Geralmente essa pessoa costuma fazer coisas "robotizadas", como tudo está sempre da mesma forma, faz determinadas tarefas quase de forma automática.

Ser sistemático é você sempre seguir um mesmo conjunto de regras e costumes e aplicá-los a todas as situações. É como se fosse um programa de computador que tem toda a sua rotina detalhada, descrita e, portanto, previsível.

O programa só muda a sua rotina quando apresenta algum defeito ou um vírus corrompe-o, o que provoca uma desordem. Tentei só exemplificar para dizer uma coisa: ser sistemático não quer dizer necessariamente que você seja chato e nem pode ser considerado um defeito.

De repente ser sistemático te ajuda a estabelecer uma série de rotinas que são necessárias à sua sobrevivência e te definem como ser humano. O que você precisa saber é quando abrir mão do seu lado sistemático e ser mais relaxado, solto, e não se prender tanto as regras que estabeleceu para si e para os outros.

Digo para os outros porque o sistemático avalia o mundo conforme as regras que ditou para si e espera que todos vejam o mundo da mesma forma que ele. O sistemático é exigente e duro consigo e com os outros.

A tendência então do sistemático é ver o seu mundo ruir se alguém entra na sua rotina ou algo sai dela e, geralmente, ele não está preparado para lidar com isso. O sistemático tende a lidar mais com a razão do que com a emoção e não consegue ver os seus limites.

Cada um tem o seu jeito. O interessante é que muito amigos seus devem vir conversar contigo justamente por você ter sempre opiniões legais e ser mais estável que eles.

As pessoas sistemáticas são extremamente pontuais e se aborrecem quando saem da pontualidade;

Tem hábitos de tentar convencer as pessoas sobre as suas idéias; Se programam até em horas. Tipo aquela coisa meio robótica;

Planejam-se até os anos seguintes e esperam imensamente que saia conforme o planejado;

Tem dia e hora para lavar roupa, passar, arrumar as coisas da semana; Ficam perdidas e sem saber o que fazer quando acontece algum imprevisto.

É . . . se ser sistemático está te cansando é hora de abrir-se um pouco à mudança, mas não se viole demais por conta da opinião dos outros. Mude aos poucos, no seu tempo . . .

Seja leve,seja livre

CONSCIÊNCIA


 

O GRITO DA CURANDEIRA

 


“O GRITO DA CURANDEIRA.

O grito da curandeira não é som,

é memória antiga a acordar na carne.

É o corpo a lembrar-se de tudo o que foi calado,

de todas as dores engolidas para salvar outros.

É o eco das mulheres e dos homens que curaram em silêncio,

que sangraram sem altar,

que amaram sem serem vistas/os.

O grito da curandeira nasce no ventre,

sobe pela espinha como fogo antigo

e rasga o peito quando já não dá para conter.

Não é fúria é libertação.

Não é fraqueza é verdade.

Ela grita quando percebe

que não pode curar o mundo ferindo-se.

Quando entende que dizer “basta”

também é medicina.

O grito da curandeira é sagrado.

É o momento em que ela escolhe viver,

em que transforma dor em fronteira,

amor em raiz,

e silêncio… em voz.

É O GRITO DA QUE NUNCA FOI SALVA, O GRITO DA DESPREZADA, O GRITO DA QUE NUNCA FOI AMADA.

É O GRITO DA QUE FOI CALADA.

o grito da curandeira é o rezo da mãe. 

É o colo da avó. 

É o olhar do pai.

É a lágrima da criança. 

O grito da curandeira dá-se depois de todas e todos terem gritado a sua dor a sua voz.

O grito da curandeira é o último grito a gritar, pois é o último que renasce e que sempre acaba a suspirar.( alívio)

Pois o seu sagrado é na verdade ser a voz que une o pai as criaturas na mais fria das verdades que acorda sem chamar.

É por isso que a curandeira é velha, a anciã do amar.

A que sustenta o mundo nas costas sem de nada se queixar.

Ser cura é ser parteira das almas, que se inauguram ao chegar .

E por isso um grito não é um berro.

É a alma a acordar .

Para a vida esmurecida, que a voz tem um dia que berra e ninguém ouve o chamar.

O maior grito dá-se no silêncio e ai não se chama gritar.

Chama-se conter o grito , para que muitas possam despertar.

Parteira do grito, a curandeira das almas.

A Anciã Sabedoria.”

Ruy Alma

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