02/06/2026

CADEIRA DE ESPECTADOR


Hoje se vive em estado de espectador, porque as coisas não se encontram uniformes nas atitudes, das janelas se vê apenas trânsito congestionado, não só de carros, mas de tudo o quanto no momento se apresenta. E nesse jeito inseguro, vive-se perdido em mil ilusões.

Nessa cadeira de espectador as pessoas estão submersas em buracos, tentando colocar suas cabeças para fora para ver e sentir o ar, mas nem isso está conseguindo. O tempo passa arrastado sem perceber o relógio marcar as horas que se perde.

E nesse jogo de cartas ainda não marcadas, mas se tentando marcá-las, continua-se sem destino certo. O mundo continua líquido, as relações são estáveis, sem nenhuma segurança, apenas generoso em ouvir capacidades sem palavras – está-se num mundo sem heróis.

O ceticismo é frequentemente confundido com cinismo, e nessa linguagem de aparência, as virtudes deixam de ser cultivadas, a honestidade não se presume, continua com os pés sujos da poeira do mundo, em dias que se confundem com noites.

Nestas pedras que rolam sem destino certo, senta-se na cadeira de espectador para ver milagre acontecer, sem saber o mundo que se constrói, tentando se apegar em colocar a mão direita na consciência e o sonho no coração.

Esse sonho que não mais vive nesse tempo, mesmo assim é sonho, o seu sonho e não o sonho de outros. E nessa cadeira de espectador tenta-se ver o sol despertar sem esconder a pressa, esperando o melhor acontecer.

Lucas Henrique 

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