Hoje se vive em estado de espectador, porque as coisas não se encontram uniformes nas atitudes, das janelas se vê apenas trânsito congestionado, não só de carros, mas de tudo o quanto no momento se apresenta. E nesse jeito inseguro, vive-se perdido em mil ilusões.
Nessa cadeira de espectador as pessoas estão submersas em buracos, tentando colocar suas cabeças para fora para ver e sentir o ar, mas nem isso está conseguindo. O tempo passa arrastado sem perceber o relógio marcar as horas que se perde.
E nesse jogo de cartas ainda não marcadas, mas se tentando marcá-las, continua-se sem destino certo. O mundo continua líquido, as relações são estáveis, sem nenhuma segurança, apenas generoso em ouvir capacidades sem palavras – está-se num mundo sem heróis.
O ceticismo é frequentemente confundido com cinismo, e nessa linguagem de aparência, as virtudes deixam de ser cultivadas, a honestidade não se presume, continua com os pés sujos da poeira do mundo, em dias que se confundem com noites.
Nestas pedras que rolam sem destino certo, senta-se na cadeira de espectador para ver milagre acontecer, sem saber o mundo que se constrói, tentando se apegar em colocar a mão direita na consciência e o sonho no coração.
Esse sonho que não mais vive nesse tempo, mesmo assim é sonho, o seu sonho e não o sonho de outros. E nessa cadeira de espectador tenta-se ver o sol despertar sem esconder a pressa, esperando o melhor acontecer.
Lucas Henrique

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