Conta ao mundo o azul das tuas primaveras,
mas não entregues tua voz às tempestades que já passaram.
Guarda nas mãos as flores que a vida te ofereceu,
e deixa cair os espinhos que um dia te feriram.
Conserva nos lábios as palavras que trouxeram amor,
e não permitas que as palavras de ódio encontrem morada em teu coração.
Mostra as medalhas das tuas vitórias,
mas não permita que as cicatrizes das derrotas contem a história inteira sobre quem tu és.
Olha de frente para o sol que ainda ilumina teus caminhos.
Não gastes teus olhos contemplando sombras que ficaram para trás.
Conserva em teus ouvidos as palavras de amor,
e deixa que o ódio se perca no silêncio de onde veio.
Porque a vida não te pede para esquecer tudo o que viveste.
Ela te pede algo ainda maior: que não transformes aquilo que te feriu naquilo que irá te definir.
Há dores que ensinam.
Há perdas que libertam.
Há palavras que precisam ser esquecidas.
E há histórias que só encontram seu verdadeiro fim quando deixamos de carregá-las.
Não carregues para o amanhã aquilo que pertence ao ontem.
Escolhe o que merece permanecer em ti.
Guarda o amor.
Guarda os aprendizados.
Guarda a tua força.
E tudo aquilo que tentou apagar a tua luz,
deixa para trás.
Porque algumas das maiores vitórias da vida
não são aquelas que mostramos ao mundo.
São aquelas em que, silenciosamente,
escolhemos não nos tornar aquilo que um dia nos feriu.
Eliana Neves
A Voz do Silêncio

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