28/12/2025

Cérebro


Quando evitamos algo doloroso, o cérebro entra em um modo automático de proteção. Essa reação não é fraqueza nem falta de maturidade emocional, mas um mecanismo profundo de sobrevivência.

Diante da possibilidade de dor seja física ou emocional a amígdala, estrutura ligada ao medo e à ameaça, é ativada. Ela envia sinais de alerta ao corpo, preparando-o para fugir, lutar ou congelar. Ao mesmo tempo, o cérebro tenta reduzir o desconforto antecipado, buscando caminhos que afastem a experiência dolorosa.

O problema é que, ao evitar repetidamente aquilo que dói, o cérebro aprende que a fuga “funciona”. O sistema de recompensa libera alívio momentâneo, reforçando o comportamento de evitação. Esse alívio, porém, é temporário. Com o tempo, o estímulo evitado passa a parecer cada vez mais ameaçador, mesmo que não seja objetivamente perigoso.

Enquanto isso, o córtex pré-frontal, responsável por avaliar a realidade, regular emoções e tomar decisões conscientes, perde espaço para respostas impulsivas e automáticas. A dor não desaparece; ela fica armazenada, muitas vezes se manifestando como ansiedade, tensão corporal, procrastinação, sintomas físicos ou padrões repetitivos de comportamento.

Evitar o que dói pode trazer conforto imediato, mas cobra um preço silencioso: limita a expansão emocional, empobrece a experiência de vida e mantém o cérebro preso a circuitos de medo. Quando enfrentamos a dor de forma gradual e segura, o cérebro cria novas conexões, aprende que é possível atravessar o desconforto e sair fortalecido.

A cura não acontece na ausência da dor, mas na capacidade de permanecer presente diante dela, permitindo que o cérebro atualize suas respostas e transforme proteção em amadurecimento.

Texto por: Psicanalise Inconsciente

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