Quando dominar se tornou estatisticamente inútil,
toda a história foi vista apenas como uma,
o mesmo ser compartilhado ideias em corpos diferentes,
compartilhando o mesmo eco de possibilidades,
e então o império colapsa, por fadiga moral?
Perceberam que o que não faltava era armas,
mas sentido quase não existia.
A biologia percebeu tarde:
organismos que competem demais
extinguem o próprio habitat.
A física já sussurrava há eras:
nenhuma partícula existe sozinha,
toda força é relação.
A sociedade tentou resistir,
chamou de utopia o que era diagnóstico,
chamou de fraqueza o que era maturidade evolutiva.
Mas a história não pede opinião,
ela executa consequências,
porque o colapso não é moral
é epistemológico.
Compartilhar deixou de ser virtude
e passou a ser condição de continuidade.
Não por bondade,
mas por lógica sistêmica.
A nova Gênesis não caiu do céu,
emergiu do colapso do ego.
Quando o “eu” percebeu
que era apenas um pronome temporário
de algo infinitamente maior.
O amor, então, deixou de ser sentimento
e revelou sua função original:
campo unificador de consciências
em estados diferentes de ignorância,
a separação é um erro de sintaxe, peça simples de consertar.
O único vírus nunca foi a fome,
nem o ódio,
nem a violência.
Esses são apenas sintomas.
O vírus é a ilusão de separação,
a crença de que o outro
não participa do mesmo código-fonte.
Quando essa falha cognitiva cessar,
o universo não precisará mais ensinar pela dor, pois percebe,
toda lei que ignora relação vira lei da ruína.
A espécie compreenderá, enfim,
que evoluir
é reconhecer-se
em todas as formas que ainda não sabe amar.
Reivindique o infinito da sua paz interior,
o amor é a força que estrutura o real,
Amor: não um sentimento, mas a arquitetura que sustenta mundos,
O que chamamos de coração é na verdade infraestrutura.
A cura começa quando desistimos de gerir o outro como recurso,
quando entendermos que somos a mesma biblioteca, as guerras virarão silêncio,
a nova Gênesis devolve o sentido.
O amor não cura apenas feridas: reescreve o código para retornarmos ao controle dos sentidos.
J.H. Lich

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