25/12/2025

Vírus-Anti


Quando dominar se tornou estatisticamente inútil,

toda a história foi vista apenas como uma, 

o mesmo ser compartilhado ideias em corpos diferentes,

compartilhando o mesmo eco de possibilidades,

e então o império colapsa, por fadiga moral? 

Perceberam que o que não faltava era armas,

mas sentido quase não existia. 

A biologia percebeu tarde:

organismos que competem demais

extinguem o próprio habitat.

A física já sussurrava há eras:

nenhuma partícula existe sozinha,

toda força é relação. 

A sociedade tentou resistir,

chamou de utopia o que era diagnóstico,

chamou de fraqueza o que era maturidade evolutiva.

Mas a história não pede opinião,

ela executa consequências,

porque o colapso não é moral

é epistemológico.

Compartilhar deixou de ser virtude

e passou a ser condição de continuidade.

Não por bondade,

mas por lógica sistêmica.

A nova Gênesis não caiu do céu,

emergiu do colapso do ego.

Quando o “eu” percebeu

que era apenas um pronome temporário

de algo infinitamente maior.

O amor, então, deixou de ser sentimento

e revelou sua função original:

campo unificador de consciências

em estados diferentes de ignorância, 

a separação é um erro de sintaxe, peça simples de consertar.

O único vírus nunca foi a fome,

nem o ódio,

nem a violência.

Esses são apenas sintomas.

O vírus é a ilusão de separação,

a crença de que o outro

não participa do mesmo código-fonte.

Quando essa falha cognitiva cessar,

o universo não precisará mais ensinar pela dor, pois percebe,

toda lei que ignora relação vira lei da ruína.

A espécie compreenderá, enfim,

que evoluir

é reconhecer-se

em todas as formas que ainda não sabe amar.

Reivindique o infinito da sua paz interior, 

o amor é a força que estrutura o real,

Amor: não um sentimento, mas a arquitetura que sustenta mundos,

O que chamamos de coração é na verdade infraestrutura.

A cura começa quando desistimos de gerir o outro como recurso,

quando entendermos que somos a mesma biblioteca, as guerras virarão silêncio,

a nova Gênesis devolve o sentido. 

O amor não cura apenas feridas: reescreve o código para retornarmos ao controle dos sentidos. 

J.H. Lich

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