16/12/2025

Mecanismos de Defesa


Seu cérebro mente para você, e isso não é um defeito, é um mecanismo de sobrevivência.

Gostamos de acreditar que nos conhecemos, que temos clareza sobre quem somos e por que fazemos o que fazemos. Mas a verdade é mais desconfortável: grande parte da nossa vida psíquica é construída sobre narrativas que não são exatamente verdadeiras são funcionais.

Na psicanálise, chamamos isso de mecanismos de defesa. O ego reorganiza a realidade interna para evitar angústia, culpa e dor psíquica. Na neurociência, vemos o mesmo fenômeno acontecendo em nível cerebral: o cérebro edita memórias, preenche lacunas, distorce percepções e cria histórias coerentes para manter a sensação de identidade e continuidade.

A amígdala reage antes da razão. Ela dispara o alarme emocional, enquanto o córtex pré-frontal chega depois… para explicar, justificar e racionalizar. Não decidimos primeiro explicamos depois. E essa explicação quase sempre nos coloca como vítimas, inocentes ou coerentes.

É por isso que lembranças mudam, versões se adaptam e certezas se tornam frágeis quando confrontadas. A memória não é um arquivo fiel; ela é reconstrutiva. Cada vez que lembramos, reescrevemos. Cada vez que contamos uma história sobre nós mesmos, reforçamos uma identidade não necessariamente a verdade.

O problema não é o cérebro mentir. O problema é quando essa mentira se torna rígida demais. Quando a defesa vira prisão. Quando a narrativa impede o contato com o real, com o desejo, com a responsabilidade e com a mudança.

O processo terapêutico seja pela via psicanalítica ou neurocientífica não busca destruir o ego, mas flexibilizá-lo. Tornar possível suportar verdades que antes eram insuportáveis. Porque crescer, no fundo, não é descobrir quem você é…

é ter coragem de abandonar quem você precisou ser para sobreviver.

E você? Já percebeu alguma história que conta sobre si mesmo apenas para não entrar em contato com algo mais profundo?

Texto por: Psicanalise Inconsciente

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