12/01/2026

Casal


Há mulheres que não estão em casal, mas sim a cargo de um casal.

Sustentam a casa, as decisões, a economia, a estabilidade emocional, o rumo.

Pensam por dois. Resolvam por dois. Suportam por dois.

E embora do lado de fora pareçam fortes, independentes e capazes, por dentro há uma verdade que dói reconhecer:

estão cansadas de ser “a que carrega tudo”.

Não é amor o que as mantém nessa situação.

É uma estrutura interna aprendida muito antes dessa relação.

Desde a perspectiva sistémica, quando uma mulher ocupa um lugar excessivamente ativo, dominante ou provedor na relação, não é casualidade nem empoderamento mal compreendido. É um movimento de sobrevivência que se originou na sua história.

Muitas vezes, essa energia masculina elevada não nasceu na idade adulta, mas sim na infância.

- Quando uma menina teve que crescer rápido

- Quando viu uma mãe sobrecarregada, submissa ou sozinha

- Quando um pai esteve ausente, fraco ou emocionalmente inacessível

- Quando alguém teve que “assumir o controle” para que a família não desmoronasse

Aí se instala uma lealdade silenciosa:

“Se eu não for forte, tudo desmorona”.

E essa força, que em seu momento salvou, na relação cobra um preço muito alto.

## O que acontece na relação

Essas mulheres costumam atrair homens que:

- Não tomam iniciativa

- Evitam a responsabilidade

- Precisam ser guiados, sustentados ou impulsionados

- Se acomodam na passividade

Não porque elas escolham conscientemente, mas porque o sistema busca repetir o conhecido.

Forma-se assim uma complementaridade inconsciente:

uma que dirige, uma que carrega, uma que resolve

e outra que se deixa levar, posterga ou apoia-se.

Com o tempo, a admiração se quebra.

E sem admiração, o desejo morre.

Ela torna-se dura. Controladora. Exausta.

Ele torna-se pequeno. Dependente. Ou vai embora.

E embora muitas mulheres digam “não quero ser assim”, o corpo não sabe fazer diferente enquanto continuar a ocupar um lugar que não lhe pertence.

## A origem sistémica dessa energia

Desde as Constelações Familiares, este padrão costuma ter raízes claras:

Lealdade familiar inconsciente:

A mulher continua a ser fiel a um sistema onde teve que substituir alguém: um pai ausente, um adulto caído, uma mãe frágil.

**Parentificação:**

Ter sido “a grande” demasiado cedo. Ter cuidado, sustentado ou protegido quando ainda era criança.

**Compensação de histórias passadas:**

Tentar inconscientemente reparar o que uma mulher anterior não conseguiu: submeter-se menos, aguentar menos, depender menos… à custa de não receber.

Nada disto fala de fraqueza.

Fala de excesso de carga.

## A solução sistémica (sem romantizar)

A saída não é “soltar o controle” porque sim.

Tampouco é mudar de parceiro repetidamente.

A solução começa quando a mulher deixa de ocupar o lugar do pai, do salvador ou do suporte, e retorna ao único lugar que ordena a vida: o de parceira adulta.

Isso implica movimentos internos profundos:

- Tomar a força do seu próprio linaje

- Devolver cargas que não lhe pertencem

- Deixar que o outro enfrente o seu destino

- Aprender a receber sem culpa nem medo

Não é fácil.

Para muitas mulheres, receber dá mais medo do que dar.

Mas somente quando cada um assume a sua parte, a relação pode se ordenar… ou terminar sem devastação.

## Frase curadora sistémica

Eu deixo contigo aquilo que te pertence.  

Confio na tua capacidade de sustentar a tua vida.  

Eu tomo a minha força, não para carregar, mas para caminhar a par.

Se te viste refletida neste texto, observa-te sem julgar,  

Estás a carregar mais do que te corresponde.

Fonte:Guia da Alma

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