Há mulheres que não estão em casal, mas sim a cargo de um casal.
Sustentam a casa, as decisões, a economia, a estabilidade emocional, o rumo.
Pensam por dois. Resolvam por dois. Suportam por dois.
E embora do lado de fora pareçam fortes, independentes e capazes, por dentro há uma verdade que dói reconhecer:
estão cansadas de ser “a que carrega tudo”.
Não é amor o que as mantém nessa situação.
É uma estrutura interna aprendida muito antes dessa relação.
Desde a perspectiva sistémica, quando uma mulher ocupa um lugar excessivamente ativo, dominante ou provedor na relação, não é casualidade nem empoderamento mal compreendido. É um movimento de sobrevivência que se originou na sua história.
Muitas vezes, essa energia masculina elevada não nasceu na idade adulta, mas sim na infância.
- Quando uma menina teve que crescer rápido
- Quando viu uma mãe sobrecarregada, submissa ou sozinha
- Quando um pai esteve ausente, fraco ou emocionalmente inacessível
- Quando alguém teve que “assumir o controle” para que a família não desmoronasse
Aí se instala uma lealdade silenciosa:
“Se eu não for forte, tudo desmorona”.
E essa força, que em seu momento salvou, na relação cobra um preço muito alto.
## O que acontece na relação
Essas mulheres costumam atrair homens que:
- Não tomam iniciativa
- Evitam a responsabilidade
- Precisam ser guiados, sustentados ou impulsionados
- Se acomodam na passividade
Não porque elas escolham conscientemente, mas porque o sistema busca repetir o conhecido.
Forma-se assim uma complementaridade inconsciente:
uma que dirige, uma que carrega, uma que resolve
e outra que se deixa levar, posterga ou apoia-se.
Com o tempo, a admiração se quebra.
E sem admiração, o desejo morre.
Ela torna-se dura. Controladora. Exausta.
Ele torna-se pequeno. Dependente. Ou vai embora.
E embora muitas mulheres digam “não quero ser assim”, o corpo não sabe fazer diferente enquanto continuar a ocupar um lugar que não lhe pertence.
## A origem sistémica dessa energia
Desde as Constelações Familiares, este padrão costuma ter raízes claras:
Lealdade familiar inconsciente:
A mulher continua a ser fiel a um sistema onde teve que substituir alguém: um pai ausente, um adulto caído, uma mãe frágil.
**Parentificação:**
Ter sido “a grande” demasiado cedo. Ter cuidado, sustentado ou protegido quando ainda era criança.
**Compensação de histórias passadas:**
Tentar inconscientemente reparar o que uma mulher anterior não conseguiu: submeter-se menos, aguentar menos, depender menos… à custa de não receber.
Nada disto fala de fraqueza.
Fala de excesso de carga.
## A solução sistémica (sem romantizar)
A saída não é “soltar o controle” porque sim.
Tampouco é mudar de parceiro repetidamente.
A solução começa quando a mulher deixa de ocupar o lugar do pai, do salvador ou do suporte, e retorna ao único lugar que ordena a vida: o de parceira adulta.
Isso implica movimentos internos profundos:
- Tomar a força do seu próprio linaje
- Devolver cargas que não lhe pertencem
- Deixar que o outro enfrente o seu destino
- Aprender a receber sem culpa nem medo
Não é fácil.
Para muitas mulheres, receber dá mais medo do que dar.
Mas somente quando cada um assume a sua parte, a relação pode se ordenar… ou terminar sem devastação.
## Frase curadora sistémica
Eu deixo contigo aquilo que te pertence.
Confio na tua capacidade de sustentar a tua vida.
Eu tomo a minha força, não para carregar, mas para caminhar a par.
Se te viste refletida neste texto, observa-te sem julgar,
Estás a carregar mais do que te corresponde.
Fonte:Guia da Alma

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