Meditar não é lutar contra os pensamentos, nem tentar silenciar a mente à força. É observar. Pensamentos surgem como nuvens, e a prática é não reagir a eles. A âncora é a respiração: o ato mais essencial da vida. Antes de qualquer ideia, crença ou ciência, existe o ar entrando e saindo. Na visão espiritual, esse ar é Deus em movimento, o sopro vital que anima todos os seres. Inspirar é receber a vida; expirar é devolvê-la. Tudo acontece no agora.
Do ponto de vista científico, a atenção plena regula o sistema nervoso, reduz a atividade excessiva do ego e fortalece áreas do cérebro ligadas à consciência e ao equilíbrio emocional. A mente deixa de viver no passado ou no futuro e se estabiliza no presente. Nesse estado, a razão — construída por aprendizados, medos e condicionamentos — começa a se dissolver. Não é ignorância, é transcendência. A mente não desaparece, mas deixa de comandar.
Filosoficamente, isso toca o ponto onde o sentido não precisa mais ser explicado. Lembra o mito de Sísifo: subir a montanha, empurrar a pedra, vê-la cair, e recomeçar. A meditação revela que o sofrimento não está no ciclo, mas na resistência a ele. Quando não há mais fuga nem expectativa, o ato em si se torna completo. O ciclo da vida, da reencarnação ou da repetição infinita não é um castigo, mas um movimento natural da existência.
Nesse nível, o “eu” deixa de ser um personagem fixo e se torna apenas consciência observando. Energia, não forma. Presença, não história. Acima de dimensões, atmosferas e conceitos humanos, não como fuga do mundo, mas como compreensão profunda dele. Meditar é lembrar que, antes de qualquer coisa que fazemos, nós respiramos — e isso já é suficiente para estar vivo.
Iluminado Guina

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