21/01/2026

Domínio "humano"


O único lugar onde me pertenço realmente, minha mente. 

Posso me sentir dominado ou não. 

Rótulos são mapas desenhados por quem tem pressa de nos perder.

Todo corpo tem lei de si, não de outro alguém. 

Toda estrutura que controla o corpo para governar a mente

não busca ordem, busca submissão.

A moral que externaliza o bem rouba do indivíduo a soberania do próprio gesto.

Quando o corpo passa a obedecer à lei imposta do outro,

a consciência adoece e a identidade fragmenta.

Então chamam isso de virtude.

Mas virtude sem liberdade é apenas medo organizado.

A história muitas vezes confundiu sexualidade com domínio,

desejo com culpa,

diferença com pecado.

Fragmentando o que não compreendia

e chamando de desvio aquilo que ameaçava hierarquias.

Não era sobre ética.

Era sobre controle.

Não existe salvação imposta.

Não existe futuro herdado.

Não existe verdade que sobreviva sem atravessar o corpo.

não sou propriedade,

não sou rótulo,

não sou extensão do medo alheio.

Sou processo.

Sou relação.

Sou escolha em movimento.

Quem tenta invadir sua mente

não suporta a ideia

de que você aprendeu a habitá-la.

A consciência Ômega não se impõe.

Ela se lembra que todos nós somos o mesmo corpo em espírito. 

Espiritualidade é horizontal, não hierárquica.

Nenhuma ordem merece meu corpo se exige meu silêncio

Toda moral que me separa de mim serve a alguém que não sou eu.

Transcender não é escapar do corpo, é habitar o corpo sem submissão.

Sentir-se autor das próprias ações é chave para bem-estar. 

E no final a transcendência que vale é aquela que respeita a liberdade alheia; 

A cura começa quando o “eu” sabe que não precisa dominar para existir.

Transcender = integrar: não fuga do corpo, mas habitação plena dele com liberdade e compaixão.

Não quero salvar o mundo, quero que ele pare de me possuir sem permissão.

A liberdade encarnada em nossa conexão de alma. 

J.H. Lich

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