Ô meu fio…
tem gente que apanhou da vida
e aprendeu a não chorar.
Aprendeu a engolir o nó na garganta.
A sorrir com o peito apertado.
A dizer “tá tudo bem”
quando por dentro tava desmoronando.
Disseram pra ocê:
“seja forte.”
Mas esqueceram de explicar
que força também cansa.
Preto Velho ensina devagar:
sentir não é fraqueza, não.
Fraqueza é fingir que nada dói
até o corpo cobrar a conta.
Tem lágrima que limpa.
Tem palavra que cura.
Tem dor que só some
quando é reconhecida.
Ocê não ficou fraco por sentir.
Ocê ficou humano.
Quem sente
não quebra mais fácil.
Quem sente
aprende a se respeitar.
Chega de carregar o mundo sozinho, meu fio.
Até tronco grosso precisa de apoio.
Saravá quem aprende a sentir.
Saravá quem se permite parar.
Saravá ocê,
que escolheu não endurecer a alma.
✍🏾 Se isso te tocou, escreve:
“Eu me permito sentir.”
Maria Araújo

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