Eu acordo, pego o celular e antes mesmo de pensar, já estou sendo pensado. Notícias me dizem o que sentir, números me dizem quanto eu valho, algoritmos me dizem o que desejar. O Egito agora é digital, silencioso, eficiente. Não usa correntes — usa notificações. E eu obedeço, porque estar conectado parece mais seguro do que estar consciente.
Trabalho para pagar coisas que não preenchem, corro atrás de metas que não são minhas, defendo ideias que nunca parei para examinar. O Faraó hoje não grita ordens; ele oferece conforto, distração e pertencimento. Em troca, pede apenas minha atenção, meu tempo, minha identidade. E eu entrego, chamando isso de normalidade.
Às vezes algo em mim desperta. Uma pergunta simples, incômoda: isso é vida ou apenas sobrevivência bem organizada? Quando essa pergunta surge, começa o deserto. Silêncio, desconforto, solidão. O sistema não me expulsa — ele me seduz de volta. “Volta, aqui é mais fácil. Aqui você não precisa pensar.”
Crio meus novos bezerros de ouro: likes, status, ideologias, gurus, lados. Peço que decidam por mim, que pensem por mim, que me digam quem é o vilão e quem é o herói. Assim não preciso sustentar o peso da verdade. Mas toda vez que terceirizo minha consciência, assino novamente o contrato da escravidão.
A lei agora não vem em tábuas, vem em contratos, termos de uso, normas invisíveis. Não me dizem o que é certo — dizem o que é permitido. E percebo que legalidade não é o mesmo que justiça, e normal não é o mesmo que verdadeiro.
Então a voz retorna, atual, direta: dê ao sistema apenas o que é do sistema. Seu dinheiro, seu tempo funcional. Mas não sua alma, não sua consciência, não sua identidade. Nenhum poder governa o que não possui dentro de mim.
Hoje entendo: o governo ilegítimo não é um prédio nem um banco — é o medo instalado na mente coletiva. Ele só existe enquanto não me conheço. A queda não será televisionada. Será silenciosa, interior, individual.
A verdade não viraliza.
Ela liberta.
Via: Iluminados, Mente ativada

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