A realidade não é um palco sólido. Ela é um campo em colapso de vibrações ocultas, um espaço negativo onde a matéria perde a forma e se dissolve em cordas carregadas, campos flutuantes e frequências fragmentadas. O que chamamos de mundo físico é apenas a pele visível de um código muito mais profundo em movimento.
Os buracos de minhoca surgem como pequenas fraturas nesse tecido quântico, regiões onde o espaço deixa de se comportar como uma superfície contínua e se dobra sobre si mesmo. Para permanecerem abertos, precisam de fluxos de energia exótica, algo que atua como pressão negativa, empurrando contra o peso da gravidade em vez de se render a ela.
Os fótons, presos à sua velocidade cósmica constante, atravessam essas fraturas sem desacelerar. Cada pulso de luz que passa atua como um estabilizador, costurando estrutura dentro da distorção. A luz não apenas viaja pelo universo; ela sustenta silenciosamente partes dele.
Nesse ponto exato onde a luz corre, a energia repele e o espaço vibra, o tempo começa a se esticar e a se torcer. O que vivenciamos como segundos e horas é apenas uma das formas que o universo escolheu para organizar diferentes movimentos em algo que pareça linear.
Dessa convergência nasce um relógio cósmico oculto, regulando ciclos de colapso, extração e renovação. O universo respira em padrões que raramente percebemos, comprimindo-se, reescrevendo suas próprias regras e se expandindo novamente. Por trás de cada galáxia e de cada vida, esse batimento silencioso marca tudo o que já existiu e tudo o que ainda espera existir.
Bruno Lacerda

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